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  • “ATEISMO É UM PROBLEMA MORAL”, AFIRMA FILÓSOFO CRISTÃO

    23 Março 2010

    “Ateismo é um problema moral”, afirma um dos maiores filósofo cristão

    James S. Spiegel tem uma tese desconfortável para propor. Ele argumenta: “ceticismo religioso é, no fundo, um problema moral”.

    Um professor de filosofia e religião da Universidade de Taylor em Upland, Indiana, EUA, James Spiegel, escreveu um livro de 130 páginas. The Making of an Atheist (O Making of de um Ateu) é uma resposta aos novos ateus. Mas ao contrário das inúmeras respostas que surgiram a partir de apologistas cristãos, o livro de Spiegel centra-se nas raízes psicológicas do ateísmo.

    Enquanto os ateus insistem que a razão fundamental para rejeitar a Deus é o problema do mal ou a irrelevância científica do sobrenatural, o filósofo cristão diz que o argumento é “apenas um ardil” ou “uma cortina de fumaça conceitual para mascarar o verdadeiro problema – a rebelião pessoal”.

    Ele admite que poderia parecer inadequado ou ofensivo sugerir que a falta de fé em Deus é uma forma de rebelião. Mas ele disse em uma entrevista recente ao Evangelical Philosophical Society que era obrigado a escrever o livro porque está convencido de que “é uma clara verdade bíblica”.

    Seu objetivo ao escrever o livro não é nem para provocar as pessoas, nem mostrar que o teísmo é mais racional que o ateísmo. Ao contrário, seu objetivo é orientar as pessoas a “explicação real do ateísmo”.

    “A rejeição de Deus é uma questão de vontade, não do intelecto”, afirma. “O ateísmo não é o resultado da avaliação objetiva da prova, mas de desobediência obstinada, mas isso não decorre da aplicação cuidadosa da razão, mas da rebelião intencional. Ateísmo é a supressão da verdade por maldade, a conseqüência cognitiva da imoralidade.

    “Em suma, é o pecado que é a mãe da descrença”. Deus fez a sua simples existência, desde a criação – a partir da vastidão inimaginável do universo para o complexo universo das micro-células individuais, de acordo com Spiegel. A consciência humana, as verdades morais, as ocorrências milagrosas e o cumprimento das profecias bíblicas são também evidências de que Deus é real.

    Mas os ateus, que rejeitam, ou como Spiegel diz, “fazem perder a importância divina de qualquer um destes aspectos da criação de Deus” menosprezam a própria razão.
    Isto sugere que outros fatores dão origem à negação de Deus. Em outras palavras, algo que não seja a busca da verdade leva ao ateísmo. Spiegel diz que o problema do ateu é a rebelião contra a pura verdade de Deus, como claramente revelado na natureza. A rebelião é solicitada pela imoralidade e comportamento imoral ou cognição é pecado.

    O autor explicou que “há um fenômeno que eu chamo de ‘paradigma induzindo à cegueira’, onde a visão falsa de uma pessoa impede de ver as verdades que de outra forma seriam óbvias. Além disso, a indulgência pecaminosa de uma pessoa é uma maneira de amortecer a sua natural consciência de Deus, ou, como John Calvin chama, o Divinitatis Sensus. E quanto mais esse sentido inato do divino é reprimido, mais resistente a pessoa fica em acreditar em Deus”.

    Spiegel, que se converteu ao cristianismo em 1980, testemunhou o padrão entre vários de seus amigos. Seu trajeto do cristianismo ao ateísmo envolve: derrapagem moral (como a infidelidade, o ressentimento ou rancor), seguido pelo afastamento do contato com outros crentes, ocorrendo crescentes dúvidas sobre sua fé e contínua vida de pecado, culminando em um rejeição consciente de Deus.

    Examinando a psicologia do ateísmo, Spiegel cita Paul C. Vitz, que revelou uma ligação entre o ateísmo e orfandade. “Os seres humanos foram feitos à imagem de Deus, e a relação pai-filho é um espelho mostrando os seres humanos como descendentes de Deus”, diz Spiegel.

    “Nós, inconscientemente (e muitas vezes conscientemente, dependendo de uma visão de mundo), concebemos a Deus como o padrão do nosso pai terreno. No entanto, quando um pai terrestre é defeituoso, seja por morte, abandono ou maus-tratos, projetamos esse pai terreno em Deus”.

    Alguns dos ateus cujos pais morreram incluem David Hume e Friedrich Nietzsche. Aqueles com pais abusivos ou fracos incluem Thomas Hobbes, Voltaire e Sigmund Freud. Entre os Novos Ateus, o pai de Daniel Dennett morreu quando tinha cinco anos e o pai de Christopher Hitchens “parece ter sido muito distante. Hitchens confessou que ele não se lembra de nada sobre ele”.

    Quanto à Richard Dawkins e Sam Harris, há pouca informação disponível a respeito de seus relacionamentos com seus pais. “Parece que as conseqüências psicológicas de um pai com defeito deve ser combinada com a rebeldia – uma resposta persistente e imoral de alguma sorte, como o ressentimento, ódio, vaidade, falta de perdão, orgulho. E quando essa rebelião é bastante profunda e prolongada, o ateísmo dá resultados”, explica Spiegel.

    Em essência, “ateus finalmente optam por não acreditar em Deus”, diz Spiegel. E “esta escolha não ocorre em um vácuo psicológico”.

    “Ela é feita em resposta aos desafios à fé profunda, como os pais com defeito e talvez outros ensaios emocionais ou psicológicos”, afirma. “A escolha também não é feita em um vácuo moral. O impacto do pecado e suas conseqüências também serão significativos”.

    “Estes efeitos morais e psicológicos acarretam em uma maior chance para negar a realidade do divino, sem qualquer sentido (ou muito) de incoerência em uma visão do mundo”.

    Fonte: Christian Post

    EX-PRATICANTE CONTA OS BASTIDORES DO SANTO DAIME

    18 Março 2010

    O assassinato do cartunista Glauco Villas Boas e seu filho Raoni, na madrugada de sexta-feira em Osasco, São Paulo, trouxe à tona discussões sobre o Santo Daime, como é mais popularmente conhecido o uso ritualístico da Ayahuasca, o chá feito a partir de duas plantas da região amazônica e que tem propriedades alucinógenas. O cartunista era fundador de uma igreja baseada no daime e foi morto no templo que havia construído no terreno de sua casa.
    O jovem apontado como autor do crime teria se aproximado da igreja de Glauco com o objetivo de livrar-se do uso de drogas. Foi essa suposta capacidade atribuída ao uso do chá que atraiu João (o nome é fictício), um jovem com histórico de dependência de substâncias ilícitas que aceitou explicar ao Terra o que viu e sentiu em suas experiências como daimista.
    João ouviu falar do chá pela primeira vez no final dos anos 1990, quando morava em Rio Branco, capital do Acre. O nível de informações, porém, era insuficiente. Talvez um reflexo da falta de aceitação do ritual em parte da sociedade. Mas como o daime faz parte da cultura da região Norte, João encontrou em uma colega de faculdade em Manaus (AM) a oportunidade de conhecer a Ayahuasca.
    Sua primeira impressão foi a de que o daime baseia-se numa doutrina cristã. "Antes de participar de uma das cerimônias, ou trabalhos, como são conhecidas, eu teria de passar por uma entrevista com membros da igreja, que ficava localizada em uma área menos populosa, nos arredores de Manaus", conta ele.
    Os líderes da igreja fizeram perguntas a João. "Eles questionaram porque eu queria tomar daime, se tinha histórico de uso de drogas, e se possuia conhecimentos sobre espiritualidade. Me pediram que ficasse três dias sem ingerir bebidas alcoólicas e até sem comer carne vermelha antes da cerimônia", disse.
    O estudante também ouviu histórias sobre a origem do daime, sua relação com a cultura amazônica, a ligação com a floresta, simbologia, como são realizados os trabalhos e outros detalhes. João também constatou que os freqüentadores mais assíduos, ou fardados, vivem nos arredores da igreja, em uma espécie de comunidade. As pessoas vêm das mais diferentes formações. Há desde agricultores até policiais e advogados. Mas há também os que chegam à igreja como curiosos, interessados em experimentar a bebida. Estes sofrem com a reação clássica do chá, o vômito.
    O daime é tomado basicamente em três "linhas", cada qual com suas características de ritual: daime, união e barquinha. O Santo Daime é a ramificação mais ligada aos signos da igreja católica e é bem rígida durante os trabalhos. Existe até um fiscal que ajuda nos momentos de aperto, afirma João.
    São determinados os lugares onde você deve ficar na igreja, quanto tempo e para onde você pode se afastar, para "não quebrar a corrente" no decorrer da cerimônia. Há duas etapas nos trabalhos, a concentração, quando se fica em silêncio por cerca de uma hora após tomar o chá, intercalando com alguns hinos (músicas da doutrina), e o bailado, quando se faz uma espécie de coreografia dando dois passos para cada lado, em cerimônias que podem durar de sete a doze horas.
    A União do Vegetal tem um círculo mais restrito, mas não tão rígido. Durante as cerimônias é possível conversar e fazer perguntas ao responsável pela cerimônia. Os hinos são diferentes, mas o que importa é a mensagem, diz João.
    João também conheceu a Igreja da Barquinha, dessa vez em Rio Branco. O local é parecido com uma igreja católica e o ritual se assemelha bastante com o do Santo Daime, com a diferença da inclusão de entidades afro-brasileiras nos rituais.
    Em comum entre as três linhas está o chá. Feito da mistura de um cipó e de folhas de um arbusto da Amazônia, ele começa a fazer efeito em cerca de 20 minutos. A primeira reação é uma espécie de sonolência, com muitos bocejos. "A partir desse ponto, a sensibilidade aos sons e à luz fica mais forte, assim como o torpor que oscila em momentos mais fortes e tranquilos, de acordo com o hino", descreve João.
    O chá leva o usuário a momentos de auto-análise para depois encontrar o ápice do efeito, quando fica difícil de manter a concentração. "Nesse ponto ocorrem mirações, efeitos alucinógenos do chá. Antes ou depois delas me senti mal e vomitei, um efeito conhecido como peia, que é comum entre os daimistas", relata João.
    A peia é incômoda, mas depois dela a sensação é boa, e muda de acordo com o hino que estiver sendo cantado. A música é parte importante no ritual. No daime e na barquinha, os visitantes recebem inclusive um hinário para poder acompanhar e cantar as músicas.
    João frequentou os cultos por seis meses e conta que a experiência com a Ayahuasca foi positiva e o ajudou a livrar-se das drogas, inclusive do álcool. Mas que não há como generalizar: "Cada um que toma tem uma experiência diferente", afirma.
    No período em que freqüentou as igrejas, João afirma que notou alterações significativas em pessoas que passaram a ser mais assíduas nos rituais. "Algumas realmente abdicam da vida social e se isolam em comunidades no meio da mata", diz ele.
    "Vi em muitos casos pessoas achando eram mais puras e elevadas, diziam ter contatos com entidades elevadas, o que de certa forma causava risos entre os praticantes mais velhos", afirmou.
    "Ao tomar o daime, a pessoa não pode se deixar levar por devaneios egocêntricos, que provavelmente viriam à tona em um outro momento de sua vida", disse.
    Fonte: Mais notícias de brasil