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  • TENTANDO SER PASTOR

    19 Fevereiro 2010

    Tenho tentado não permitir que a figura de executivo de empresa religiosa ou de artista de show da fé encarnem minha personalidade ou determine o perfil das atividades pastorais.

    Tenho tentado não deixar que a paranóia pelo aumento de frequentadores nos cultos ou das receitas financeiras, sacrifiquem a fidelidade a valores universais do Reino de Deus, como amor, justiça, graça, misericórdia, verdade, liberdade, honestidade.

    Tenho tentado olhar as pessoas como gente e não como cifrões e estimular a igreja a gerenciar seus recursos financeiros com transparência, austeridade e democracia, visando alcançar objetivos estabelecidos à luz de ensinos e exemplos de Jesus.

    Tenho tentado ser fiél a princípios bíblicos que perduram no tempo e espaço, distinguindo-os daqueles que retratam a cultura de uma época.Tenho tentado ensinar a Bíblia reflexivamente e não reprodutoramente, estudando demoradamente, com interessados, textos que possam ajudá-los a construir um estilo de vida saudável para si e coletivamente.

    Tenho tentado não valorizar ou discutir picuinhas doutrinárias, responsáveis por partidarismo político religioso, geradas por líderes egocêntricos e dominadores travestidos de falsa espiritualidade.

    Tenho tentado ser eticamente liberal, naquilo que, acredito, devemos ser liberais; conservador, naquilo que, acredito, devemos ser conservadores, sem me preocupar em me enquadrar num rótulo que possa agradar este ou aquele segmento da igreja, das estruturas religiosas ou da sociedade em geral

    Tenho tentado ser honesto na exposição de meus pensamentos, compartilhando a forma como entendo os acontecimentos da vida sem buscar aplausos de platéias, sejam elas quais forem.

    Tenho tentado tratar com respeito o direito que todos temos de construir e preservar nossas próprias opiniões. No que depende do meu espaço de influência, tenho defendido o direito de discordarmos e expressarmos nossos pontos-de-vista, mesmo diferentes dos do grupo transitoriamente dominante.

    Tenho tentado priorizar o ser verdadeiro, muito mais do que o ser político ou popularmente marqueteiro.

    Tenho tentado divulgar, através da imprensa, idéias que possam sem ser úteis ao povo e não instrumentos de propaganda de um segmento religioso. Faço isso na crença de que Deus não está interessado no bem estar somente de pessoas filiadas a partidos religiosos, conhecidos por uma infinidade de nomes – marcas - eclesiásticos. "Deus amou o mundo...", portanto, não somente os frequentadores de igreja.

    Tenho tentado ser um pastor disponível.

    Tenho tentado me relacionar bem com todos, não fugindo de divergências, discussões, às vezes calorosas e necessárias, sem, entretanto, guardar mágoas ou amarguras que bloqueiem os não menos calorosos e necessários momentos de afeto.

    Tenho tentado ser transparente, não blefar, nem usar de meias verdades. Quando preciso dizer sim, tento dizer sim; quando não, não.

    Tenho tentado não fugir de adotar medidas dolorosas, quando uma omissão colocaria em risco o bem-estar de um grupo maior de pessoas.

    Tenho tentado compatibilizar interesses individuais com os institucionais, pois, embora o indivíduo valha mais do que a instituição, sem instituições a vida individual murcharia.

    Tenho consciência de ter pecado muitas vezes na caminhada ministerial. Nem sempre acertei o alvo, nas minhas tentativas. Nem sempre pude prever e muito menos evitar, efeitos colaterais dolorosos que não gostaria que tivessem ocorridos em certas tentativas de acerto.
    Meus pecados, entretanto, não têm sido por falta de tentativas sinceras e bem intencionadas, nem, muito menos, por má-fé. Por isso, continuarei tentando, não desistirei de ser pastor.
    Espero que aqueles que me cercam, compreendam e ajudem-me no cumprimento da minha vocação. E, como eu tenho tentado ser pastor, continuem eles, também, tentando ser verdadeiras ovelhas de Jesus Cristo.

    Fonte: Coisas da vida do ego.blogger

    O LADO DURO DA LIDERANÇA PASTORAL

    17 Fevereiro 2010

    Se examinarmos cuidadosamente a vida dos líderes da Bíblia, principalmente as dificuldades que tiveram e os obstáculos que enfrentaram ao longo do seu ministério, nós, pastores da atualidade, poderemos entender melhor muitos dos problemas pelos quais já passamos, e até prognosticar realisticamente os obstáculos em potencial que ainda poderão se manifestar.
    A liderança pastoral tem um lado duro, que colocará à prova muitas virtudes da fé cristã, como a perseverança, a paciência, o domínio próprio, a cordialidade, a confiança no Senhor e o amor às ovelhas. Esta constatação sobre a dura realidade da liderança pastoral, deveria também influenciar nas decisões que os aspirantes ao ministério precisam tomar quanto a manterem ou não suas investidas por se tornarem pastores.
    Liderar a igreja de Cristo envolverá a necessidade de superação constante de obstáculos, assim como a necessidade de suportar, com longanimidade, os constantes sofrimentos que serão impostos nas mais variadas esferas desta experiência. Esta realidade é inerente à grandiosidade da tarefa e à desesperada oposição do inimigo, já derrotado, mas temporariamente ativo e aplicado a infringir derrotas aos homens de Deus chamados para pastorear Sua igreja que prevalecerá contra as portas do inferno.
    Para suportar esse lado duro, o pastor precisará desenvolver uma "pele grossa" que resiste às inúmeras fontes que podem ferir a té mortalmente os mais sensíveis e melindrosos, que logo se perceberão inaptos para o ministério, tamanha a dor que sentem.
    Reflitamos em algumas experiências de líderes da Bíblia:
    Quando Paulo escreve aos Coríntios, notamos que o apóstolo se defende de algumas críticas injustas que recebia ali. Em 1 Coríntios 9:1-2 Paulo se aplica a defender sua autoridade apostólica, não aceita por alguns crentes carnais daquela igreja. Em 2 Coríntios 10:8-11 Paulo se defende da acusação de ser duro por carta, mas frouxo pessoalmente.
    As críticas são como pedras lançadas contra o pastor, visando machucá-lo quando atiradas diretamente ou visando machucar a sua imagem quando desferidas nas fofocas e maledicências praticadas pelas ovelhas menos maduras.
    Algumas críticas terão fundamento, outras não. Algumas serão feitas para ferir outras ferirão mesmo que esta não tenha sido a intenção de quem a fez. Precisamos aprender a lidar com elas. Algumas serão proveitosas e fomentarão nosso crescimento, outras deverão ser tratadas como pecado e as medidas bíblicas contra elas deverão ser tomadas corajosamente, mas com o espírito de brandura típico dos maduros na fé, conforme Gálatas 3:1. Já outras, colocarão nosso ego à prova e desqualificarão rapidamente aqueles que não admitem, por orgulho próprio, que sejam atacados, contrariados ou mesmo rejeitados.
    Igualmente tão desafiador quanto enfrentar críticas pessoais, quem desempenha a liderança pastoral também tem que tratar com as murmurações. Moisés experimentou essa dura realidade. Em Êxodo 15:24, 16:2, 17:3, Números 16:41 estão alguns relatos do povo murmurando contra Moisés e Arão. Em Números 21:5 vemos o povo murmurando contra o próprio Senhor, que os castiga com serpentes para que se arrependam da sua postura de reclamação.
    O pastor sempre encontrará pessoas reclamando de alguma coisa, descontentes com alguma situação, preferindo que as coisas sejam diferentes do que são. A murmuração é uma manifestação de carnalidade, e muitas vezes ela vem de pessoas sobre as quais nutríamos uma expectativa de uma postura mais madura e tolerante, causando em nós frustração e eventualmente, dor por ter que lidar com elas.
    E por mencionar manifestações de carnalidade, há de se lembrar que existem outras situações em que os mais carnais lançam comentários contundentes para machucar os pastores.
    Lamentavelmente, tem se avolumado os casos de pastores injustamente perseguidos e até destituídos dos seus ministérios sem receber nenhum respaldo. Às vezes porque discordaram de algum membro ou líder influente, ou ameaçaram a hegemonia ditatorial de alguma família que quer exercer primazia, ou porque combateram alguma prática pecaminosa fazendo com que alguns se sentissem ameaçados e vulneráveis.
    Há muitos "Diostrefes" por aí perseguindo injustamente homens de Deus, tal como aquele de 3 João, que boicotava os missionários que vinham de longe para pregar o evangelho, não lhes dando acolhida e proibindo o restante da igreja de os receberem, pois "gostava de exercer a primazia" e não dividia sua posição de honra com ninguém.
    Neemias foi caluniado, como vemos em Neemias 6:6. Pessoas queriam causar-lhe mal (Neemias 6:2). Eles até subornaram profetas para lhe falar mentiras em nome de Deus, para prejudicá-lo.(Neemias 6:10-14).
    Não é difícil entender que um pastor íntegro e comprometido com a Palavra de Deus torna-se facilmente uma ameaça em igrejas corrompidas pela carnalidade. Receber oposição covarde e agressiva nesse cenário não é um fato surpreendente.
    A Palavra de Deus nos avisa, em 2 Timóteo 3:12, que todos que quiserem viver piedosamente serão perseguidos. No caso dos pastores piedosos, às vezes a perseguição vem de dentro da sua própria igreja!

    Fonte: Informativo vigiai.

    MINISTÉRIO COM ALEGRIA E NÃO COM GEMIDOS

    17 Outubro 2009

    Em nossa cultura batista concebemos os pastores como aqueles servos de Deus preparados para toda e qualquer situação, sempre prontos para atender as demandas de sua congregação.
    Julio Zabatiero, professor da Faculdade de Teologia de Londrina (PR), afirma: “Se alguma vez foi simples descrever o ministério pastoral, hoje já não o é. Que faz um pastor? Ele prega, ensina, treina líderes, transforma a Igreja, ora, evangeliza, administra, visita, discipula, motiva, disciplina, dirige o louvor, aconselha, batiza, ministra a Ceia, arrecada, impetra a bênção, redige o boletim, governa, doutrina, quebra paradigmas, faz teologia, faz missões, dá testemunho excepcional de vida pessoal, familiar, financeira, prega em aniversários, casamentos e funerais – hiperinflação do ministério pastoral!” A essa afirmação, eu acrescentaria: pastor, também, é aquele que precisa ter saúde de ferro, sem o direito de adoecer e, conseqüentemente, afastar-se de suas atividades pastorais.
    O pastor, de certa forma, incentiva a permanência dessas expectativas porque aprende desde cedo que “nunca deve dizer NÃO às suas ovelhas” e “nunca deve frustrar a sua igreja...”.
    Alguém escreveu no site da Sepal o seguinte: “As ovelhas adoecem. O pastor não! As ovelhas se irritam. O pastor não. As ovelhas têm problemas. O pastor não. O dinheiro das ovelhas é sempre curto. O do pastor tem durabilidade eterna. As ovelhas podem chegar atrasadas ao culto. O pastor não. As ovelhas podem tirar férias da Igreja. O pastor não. As ovelhas decidem boicotar o trabalho da Igreja. O pastor é obrigado a encarar os visitantes tentando justificar os bancos vazios numa reunião especial. Ser pastor é divertido. Dolorido. As ovelhas brigam entre si e se afastam da Igreja. O pastor vai procurá-las e ouve os desaforos que deviam ser dito a outros. E ainda ora suplicando que Deus abençoe a ovelha transviada e revoltada”.
    Não é de se espantar, portanto, que vemos um grande número de pastores enfermos. Pastores estão acometidos de enfermidades físicas e emocionais, com crises familiares, ministeriais e espirituais. Enfermos e em crise, sim!
    Em outubro de 2007, após participar do Encontro Anual dos Pastores Batistas de Minas Gerais, fiquei profundamente preocupado com o expressivo número de pastores doentes e sem nenhuma perspectiva de tratamento de suas enfermidades.
    Somente após aquele Encontro é que me dei conta de que eu estava enfermo também. Eu e minha querida esposa estávamos cansados, estressados, após 31 anos de intenso trabalho ministerial, e nem nos dávamos conta que os sintomas físicos que sentíamos eram conseqüências do estresse.
    Tomamos a decisão de nos afastarmos para tratamento de saúde. A Igreja Batista do Barro Preto, a partir de sua liderança, foi compreensiva e agiu com graça, misericórdia, generosidade e com profundo amor cristão: deu-nos uma licença remunerada, sem tempo determinado, para que cuidássemos da nossa saúde. Tivemos todo o respaldo necessário, inclusive financeiro, e nos afastamos por três meses.
    Somente um irmão, inocentemente, perguntou: “Pastores adoecem, também?” Pastores adoecem, sim!
    Infelizmente, temos observado que são poucas as igrejas que compreendem as limitações e as fragilidades dos seus pastores e, conseqüentemente, cuidam deles. As lideranças de nossas igrejas precisam entender que a atividade pastoral é uma das mais estressantes que existe. Os pastores se envolvem com a igreja quase 24 horas por dia, física, emocional e espiritualmente. Quando saímos de férias, levamos a igreja conosco. Não temos horário para o atendimento de telefonemas, pois até nas madrugadas somos acionados. Envolvemo-nos emocionalmente com o nascimento dos filhos, o casamento dos jovens e a morte das nossas amadas ovelhas. Participamos de suas alegrias e choramos as suas perdas.
    Diria alguém: “Isto faz parte do ministério!”
    Talvez seja verdade, mas é verdade também que os pastores são de carne e osso, limitados, frágeis e sujeitos a enfermidades psicossomáticas. Quantas vezes desenvolvemos sentimentos que vão danificando as nossas emoções, como, por exemplo, a amargura! Quantos pastores e suas respectivas famílias experimentando amarguras em conseqüência das lides ministeriais!
    São problemas sérios que invadem as nossas vidas, destroem a saúde emocional e os relacionamentos e, assim, enfraquecem a nossa vida espiritual e ministerial.
    As igrejas precisam resgatar a exortação bíblica: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros” (Hb13.17, grifo nosso).
    Ministério com alegria e não com gemidos!
    Algo precisa ser feito com urgência para a preservação da saúde dos pastores e de suas famílias, para que continuem no exercício do ministério como instrumentos para a edificação de vidas e para a glória de Deus.
    Queremos incentivar os pastores que cuidam do rebanho do Senhor a cuidarem-se, também.
    Queremos conclamar as igrejas a cuidarem dos seus pastores, dando-lhes o repouso necessário e as condições para tratamento da saúde.
    Queremos, finalmente, registrar a nossa profunda gratidão à Igreja Batista do Barro Preto pelo carinho demonstrado aos seus pastores e demais ministros, ao longo dos anos. Obrigado, igreja!

    Escrito por ARLÉCIO FRANCO COSTA - Pastor da IB do Barro Preto, Belo Horizonte (MG)