• Postagens por Categorias - "Liderança":
  • PARA RECONSTRUIR É NECESSÁRIO OUVIR AS PESSOAS E ACEITAR A SUA COOPERAÇÃO

    18 Fevereiro 2010

    Este capítulo de Neemias é lindo. Contudo, os comentaristas muitas vezes não o apreciam por causa da lista de nomes que aparece aqui. Aliás, é uma prática comum no livro de Neemias. Ele aprenseta sempre uma lista de nomes. Eis aqui mais uma listagem, só que esta é diferente. Aqui é a fundamentação de como vai acontecer o repovoamento da cidade.
    É interessante notar que o texto não fala de nenhuma iniciativa de Neemias. Fala da atitude do povo. O que as pessoas do povo fizeram para o povoamento de Jerusalém. Sendo assim, podemos afirmar que Neemias era um homem que ouvia o povo. Escutava suas sugestões e as acatava. Esta é uma característica que sobressai em todo o livro. Mostra que ele é um verdadeiro homem de Deus, pois como Tiago afirma: "Sabei isto, meus amados irmãos: Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar." (Tg 1.19). Os líderes actuais estão ouvindo as sugestões que lhes são apresentadas?
    As boas ideias devem ser postas em prática. Foi o que aconteceu aqui. A cidade santa precisa ser repovoada. Sendo assim, ela deve ser repovoada por um povo santo. A igreja é o povo de Deus. É o povo santo, que foi chamado pelo Senhor para estar na sua presença. Povo adquirido por bom preço. Por este motivo devemos viver de em santidade de vida.
    Olhando para este capítulo, quais as lições que aprendemos para as nossas vidas?
    Reconstruiremos vidas quando ouvimos às pessoas. Isso parece óbvio, mas é a realidade. Já foi mencionado que é uma característica de Neemias. Contudo, este facto é uma característica dos servos de Deus. Moisés ouviu as orientações do seu sogro e por isso pode conduzir o povo de Israel pelo deserto. Quantas vezes estamos em diálogos com as pessoas, mas na realidade não ouvimos o que elas nos dizem?
    O problema é que estamos nos isolando. Há uma espécie de medo em nossos dias. Líderes ficam quietos e procuram não conviver uns com os outros por temerem que os outros tomem o seu lugar. Não compartilham as coisas. Contudo, como afirmou Larry Crabb: "O individualismo exacerbado, a independência orgulhosa e o isolamento voluntário corrompem a natureza da nossa existência, tanto quanto tentar respirar debaixo d´água."[i] É isso que está acontecendo connosco. Estamos fugindo dos outros. Não queremos nos relacionar.
    Neemias ouvia as pessoas. Aceitava suas sugestões. Por isso a reconstrução de Jerusalém estava se concretizando. Nós precisamos aprender ouvir os outros. Precisamos ter em nós a mesma atitude do Senhor Jesus, pois a "vida de Cristo só flui de mim para outro quando reger de bom grado pela paixão de conhecer o outro, de abençoá-lo e de ser conhecido por ele, para que juntos possamos desfrutar da comunhão com Cristo e um com o outro."[ii] Foi exactamente isto que aconteceu com Neemias. O povo se conhecia. Isso fica claro pelo conhecimento das genealogias. Abençoavam-se mutuamente (v.2) e juntos desfrutavam da adoração. E nós como nos encontramos como igreja do Senhor Jesus?
    Precisamos ouvir os conselhos e pô-los em prática para que sejamos bem sucedidos.
    Reconstruiremos vidas quando aceitarmos a dedicação dos outros. O versículo 2 mostra a dedicação das pessoas. Homens voluntariamente se ofereceram para habitar Jerusalém. Abdicam das suas vidas para ajudar a desenvolver o projecto do Senhor. "Voluntariamente deixam de lado suas diferenças pessoais e trabalham juntos para atingir a harmonia e um espírito de grupo certo."[iii] Sem o envolvimento e a dedicação das pessoas, a reconstrução das vidas seria um fracasso. Não podemos realizar tudo sozinhos. Necessitamos de ajuda. Precisamos de pessoas que assumam responsabilidades e se disponham a desenvolver ministérios que apoiem à liderança da igreja.
    Líderes não podem fechar às portas para os seus irmãos que estão sedentos para se envolverem no trabalho da igreja. Não podem pensar que são os donos da verdade e que sabem tudo e por isso, todas as coisas devem ser feitas sob as suas ordens. Devemos nos voltar para o exemplo de Neemias. Precisamos ver o quanto ele ouviu o seu povo. É necessário entender como ele aceitou a dedicação das pessoas e permitiu que elas desenvolvessem os seus ministérios para a solidificação da obra. O que nós temos feito?
    Neste envolvimento, Neemias fez a separação das águas. Não permitiu que a política se envolvesse com a religião. Será que ele era batista? Este é um dos princípios basilares dos batistas. "Entidades políticas e religiosas são mantidas separadamente. A herança espiritual de Israel forma a base do seu sistema de governo e regula os padrões éticos, mas não são os sacerdotes que regem o povo! Neemias estabelece a diferença entre deveres religiosos e seculares, é suficientemente sábio para usar esta divisão natural ao delegar responsabilidades e dividir a responsabilidade administrativa da cidade."[iv] Cada coisa em seu lugar. Assim devemos fazer nos ministérios da igreja. Cada um deve estar envolvido no seu ministério e preocupar-se com o mesmo, sem ficar intrometendo- se no ministério dos outros.
    O crescimento da igreja depende do envolvimento dos seus membros. Crentes que voluntariamente abdicam de certas coisas para abençoarem outras vidas. Crentes maduros que desejam ver a reconstrução de vidas, para que isso aconteça, a liderança deve aceitar sua dedicação e envolvê-los activamente.
    Reconstruiremos vidas quando as pessoas forem integradas ao grupo. É aqui que falhamos. Temos bons programas de ensino. Há uma boa organização. Contudo, as pessoas estão em busca de calor humano e comunhão. Hoje mais do que nunca as pessoas desejam fazer parte de um grupo, querem ter um sentido de segurança. É por isso que estamos perdendo muita gente. Não estamos compreendendo a real necessidade dos que têm vindo até nós.
    Se formos sinceros e olharmos atentamente para o texto de Neemias, veremos que as pessoas foram buscar o seu lugar de origem. Desejavam estar num sítio onde tinham afinidades. Não queriam se sentir estranhas. Desejavam estar no seu grupo, sentindo o calor humano. É isso que nós devemos oferecer a elas. Jesus ofereceu isso. Foi presente, aceitou cada indivíduo e valorizou-o pelo que ele era e nunca pelo que tinha. Nosso problema é que estamos fazendo acepção de pessoas. Temos nossas preferências e por isso, deixamos outros de lado. Contudo a Bíblia adverte-nos que isto é pecado (Tg 2.1). É comum em nossas igrejas dar prioridade aos que têm títulos e que sobressaem na sociedade em detrimento dos que são simples.
    Não conseguimos uma integração completa. Muitas vezes parece que somos seres de outro planeta. Muitas igrejas não conseguem compreender os jovens que ficaram conhecidos como a geração x. É por este motivo que Kevin Graham diz: "Entramos na igreja com a nossa auto-estima já machucada. Descobrimos então que a igreja nos faz sentir ainda mais culpados e indignos. A pregação é crítica ou irrelevante para nossa vida. A música é fraca. A liturgia é tediosa e sem sentido. Todos se vestem num "uniforme" evangélico, com sua melhor roupa dominical, fazendo-nos sentir maltrapilhos, inferiores e deslocados. Vamos a igreja tomando posições preconceituosas que dividem as pessoas e inferioriza certos grupos."[v]
    A igreja precisa deixar seu jeitão de ser e começar a compreender as pessoas. Deve dedicar-se a elas para que aconteça a verdadeira integração, pois "como estamos na pós-modernidade, sem qualquer referencial, as pessoas podem vagar de um lado para outro, tangidas pelo vento de emoções, pressão de grupo, ou quaisquer modismos."[vi] Este é o cristianismo que está sendo vivido em nossos dias. Contudo, Neemias nos ensina a lutar buscando uma integração total. Isso só é possível se a igreja desenvolver um conceito de discipulado que mostre que a igreja é apresentada como a noiva de Cristo e isto simboliza que assumimos um compromisso sério uns com os outros levando esse compromisso como um casamento.
    Que como igreja possamos aprender ouvir o clamor das pessoas. Aprendamos a aceitar a dedicação dos outros para desenvolvimento de algum ministério e fundamentalmente lutemos para que haja integração de todas as pessoas pelo que elas são e nunca pelo que representam ser.

    Fonte: Informativo Vigiai.

     

    O LADO DURO DA LIDERANÇA PASTORAL

    17 Fevereiro 2010

    Se examinarmos cuidadosamente a vida dos líderes da Bíblia, principalmente as dificuldades que tiveram e os obstáculos que enfrentaram ao longo do seu ministério, nós, pastores da atualidade, poderemos entender melhor muitos dos problemas pelos quais já passamos, e até prognosticar realisticamente os obstáculos em potencial que ainda poderão se manifestar.
    A liderança pastoral tem um lado duro, que colocará à prova muitas virtudes da fé cristã, como a perseverança, a paciência, o domínio próprio, a cordialidade, a confiança no Senhor e o amor às ovelhas. Esta constatação sobre a dura realidade da liderança pastoral, deveria também influenciar nas decisões que os aspirantes ao ministério precisam tomar quanto a manterem ou não suas investidas por se tornarem pastores.
    Liderar a igreja de Cristo envolverá a necessidade de superação constante de obstáculos, assim como a necessidade de suportar, com longanimidade, os constantes sofrimentos que serão impostos nas mais variadas esferas desta experiência. Esta realidade é inerente à grandiosidade da tarefa e à desesperada oposição do inimigo, já derrotado, mas temporariamente ativo e aplicado a infringir derrotas aos homens de Deus chamados para pastorear Sua igreja que prevalecerá contra as portas do inferno.
    Para suportar esse lado duro, o pastor precisará desenvolver uma "pele grossa" que resiste às inúmeras fontes que podem ferir a té mortalmente os mais sensíveis e melindrosos, que logo se perceberão inaptos para o ministério, tamanha a dor que sentem.
    Reflitamos em algumas experiências de líderes da Bíblia:
    Quando Paulo escreve aos Coríntios, notamos que o apóstolo se defende de algumas críticas injustas que recebia ali. Em 1 Coríntios 9:1-2 Paulo se aplica a defender sua autoridade apostólica, não aceita por alguns crentes carnais daquela igreja. Em 2 Coríntios 10:8-11 Paulo se defende da acusação de ser duro por carta, mas frouxo pessoalmente.
    As críticas são como pedras lançadas contra o pastor, visando machucá-lo quando atiradas diretamente ou visando machucar a sua imagem quando desferidas nas fofocas e maledicências praticadas pelas ovelhas menos maduras.
    Algumas críticas terão fundamento, outras não. Algumas serão feitas para ferir outras ferirão mesmo que esta não tenha sido a intenção de quem a fez. Precisamos aprender a lidar com elas. Algumas serão proveitosas e fomentarão nosso crescimento, outras deverão ser tratadas como pecado e as medidas bíblicas contra elas deverão ser tomadas corajosamente, mas com o espírito de brandura típico dos maduros na fé, conforme Gálatas 3:1. Já outras, colocarão nosso ego à prova e desqualificarão rapidamente aqueles que não admitem, por orgulho próprio, que sejam atacados, contrariados ou mesmo rejeitados.
    Igualmente tão desafiador quanto enfrentar críticas pessoais, quem desempenha a liderança pastoral também tem que tratar com as murmurações. Moisés experimentou essa dura realidade. Em Êxodo 15:24, 16:2, 17:3, Números 16:41 estão alguns relatos do povo murmurando contra Moisés e Arão. Em Números 21:5 vemos o povo murmurando contra o próprio Senhor, que os castiga com serpentes para que se arrependam da sua postura de reclamação.
    O pastor sempre encontrará pessoas reclamando de alguma coisa, descontentes com alguma situação, preferindo que as coisas sejam diferentes do que são. A murmuração é uma manifestação de carnalidade, e muitas vezes ela vem de pessoas sobre as quais nutríamos uma expectativa de uma postura mais madura e tolerante, causando em nós frustração e eventualmente, dor por ter que lidar com elas.
    E por mencionar manifestações de carnalidade, há de se lembrar que existem outras situações em que os mais carnais lançam comentários contundentes para machucar os pastores.
    Lamentavelmente, tem se avolumado os casos de pastores injustamente perseguidos e até destituídos dos seus ministérios sem receber nenhum respaldo. Às vezes porque discordaram de algum membro ou líder influente, ou ameaçaram a hegemonia ditatorial de alguma família que quer exercer primazia, ou porque combateram alguma prática pecaminosa fazendo com que alguns se sentissem ameaçados e vulneráveis.
    Há muitos "Diostrefes" por aí perseguindo injustamente homens de Deus, tal como aquele de 3 João, que boicotava os missionários que vinham de longe para pregar o evangelho, não lhes dando acolhida e proibindo o restante da igreja de os receberem, pois "gostava de exercer a primazia" e não dividia sua posição de honra com ninguém.
    Neemias foi caluniado, como vemos em Neemias 6:6. Pessoas queriam causar-lhe mal (Neemias 6:2). Eles até subornaram profetas para lhe falar mentiras em nome de Deus, para prejudicá-lo.(Neemias 6:10-14).
    Não é difícil entender que um pastor íntegro e comprometido com a Palavra de Deus torna-se facilmente uma ameaça em igrejas corrompidas pela carnalidade. Receber oposição covarde e agressiva nesse cenário não é um fato surpreendente.
    A Palavra de Deus nos avisa, em 2 Timóteo 3:12, que todos que quiserem viver piedosamente serão perseguidos. No caso dos pastores piedosos, às vezes a perseguição vem de dentro da sua própria igreja!

    Fonte: Informativo vigiai.

    MINISTÉRIO COM ALEGRIA E NÃO COM GEMIDOS

    17 Outubro 2009

    Em nossa cultura batista concebemos os pastores como aqueles servos de Deus preparados para toda e qualquer situação, sempre prontos para atender as demandas de sua congregação.
    Julio Zabatiero, professor da Faculdade de Teologia de Londrina (PR), afirma: “Se alguma vez foi simples descrever o ministério pastoral, hoje já não o é. Que faz um pastor? Ele prega, ensina, treina líderes, transforma a Igreja, ora, evangeliza, administra, visita, discipula, motiva, disciplina, dirige o louvor, aconselha, batiza, ministra a Ceia, arrecada, impetra a bênção, redige o boletim, governa, doutrina, quebra paradigmas, faz teologia, faz missões, dá testemunho excepcional de vida pessoal, familiar, financeira, prega em aniversários, casamentos e funerais – hiperinflação do ministério pastoral!” A essa afirmação, eu acrescentaria: pastor, também, é aquele que precisa ter saúde de ferro, sem o direito de adoecer e, conseqüentemente, afastar-se de suas atividades pastorais.
    O pastor, de certa forma, incentiva a permanência dessas expectativas porque aprende desde cedo que “nunca deve dizer NÃO às suas ovelhas” e “nunca deve frustrar a sua igreja...”.
    Alguém escreveu no site da Sepal o seguinte: “As ovelhas adoecem. O pastor não! As ovelhas se irritam. O pastor não. As ovelhas têm problemas. O pastor não. O dinheiro das ovelhas é sempre curto. O do pastor tem durabilidade eterna. As ovelhas podem chegar atrasadas ao culto. O pastor não. As ovelhas podem tirar férias da Igreja. O pastor não. As ovelhas decidem boicotar o trabalho da Igreja. O pastor é obrigado a encarar os visitantes tentando justificar os bancos vazios numa reunião especial. Ser pastor é divertido. Dolorido. As ovelhas brigam entre si e se afastam da Igreja. O pastor vai procurá-las e ouve os desaforos que deviam ser dito a outros. E ainda ora suplicando que Deus abençoe a ovelha transviada e revoltada”.
    Não é de se espantar, portanto, que vemos um grande número de pastores enfermos. Pastores estão acometidos de enfermidades físicas e emocionais, com crises familiares, ministeriais e espirituais. Enfermos e em crise, sim!
    Em outubro de 2007, após participar do Encontro Anual dos Pastores Batistas de Minas Gerais, fiquei profundamente preocupado com o expressivo número de pastores doentes e sem nenhuma perspectiva de tratamento de suas enfermidades.
    Somente após aquele Encontro é que me dei conta de que eu estava enfermo também. Eu e minha querida esposa estávamos cansados, estressados, após 31 anos de intenso trabalho ministerial, e nem nos dávamos conta que os sintomas físicos que sentíamos eram conseqüências do estresse.
    Tomamos a decisão de nos afastarmos para tratamento de saúde. A Igreja Batista do Barro Preto, a partir de sua liderança, foi compreensiva e agiu com graça, misericórdia, generosidade e com profundo amor cristão: deu-nos uma licença remunerada, sem tempo determinado, para que cuidássemos da nossa saúde. Tivemos todo o respaldo necessário, inclusive financeiro, e nos afastamos por três meses.
    Somente um irmão, inocentemente, perguntou: “Pastores adoecem, também?” Pastores adoecem, sim!
    Infelizmente, temos observado que são poucas as igrejas que compreendem as limitações e as fragilidades dos seus pastores e, conseqüentemente, cuidam deles. As lideranças de nossas igrejas precisam entender que a atividade pastoral é uma das mais estressantes que existe. Os pastores se envolvem com a igreja quase 24 horas por dia, física, emocional e espiritualmente. Quando saímos de férias, levamos a igreja conosco. Não temos horário para o atendimento de telefonemas, pois até nas madrugadas somos acionados. Envolvemo-nos emocionalmente com o nascimento dos filhos, o casamento dos jovens e a morte das nossas amadas ovelhas. Participamos de suas alegrias e choramos as suas perdas.
    Diria alguém: “Isto faz parte do ministério!”
    Talvez seja verdade, mas é verdade também que os pastores são de carne e osso, limitados, frágeis e sujeitos a enfermidades psicossomáticas. Quantas vezes desenvolvemos sentimentos que vão danificando as nossas emoções, como, por exemplo, a amargura! Quantos pastores e suas respectivas famílias experimentando amarguras em conseqüência das lides ministeriais!
    São problemas sérios que invadem as nossas vidas, destroem a saúde emocional e os relacionamentos e, assim, enfraquecem a nossa vida espiritual e ministerial.
    As igrejas precisam resgatar a exortação bíblica: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros” (Hb13.17, grifo nosso).
    Ministério com alegria e não com gemidos!
    Algo precisa ser feito com urgência para a preservação da saúde dos pastores e de suas famílias, para que continuem no exercício do ministério como instrumentos para a edificação de vidas e para a glória de Deus.
    Queremos incentivar os pastores que cuidam do rebanho do Senhor a cuidarem-se, também.
    Queremos conclamar as igrejas a cuidarem dos seus pastores, dando-lhes o repouso necessário e as condições para tratamento da saúde.
    Queremos, finalmente, registrar a nossa profunda gratidão à Igreja Batista do Barro Preto pelo carinho demonstrado aos seus pastores e demais ministros, ao longo dos anos. Obrigado, igreja!

    Escrito por ARLÉCIO FRANCO COSTA - Pastor da IB do Barro Preto, Belo Horizonte (MG)

    LÍDERES DIGNOS DE AUTORIDADE ESPIRITUAL

    17 Agosto 2009

     “O Senhor buscou para si um homem que lhe agrada.’’ Atos 18.9-10

    “A menos que eu seja convencido pelas Escrituras Sagradas, ou por razões lúcidas, de outras fontes, não poderei retratar-me. Não posso condescender com Concílios, nem como o Papa, porque eles erraram freqüentemente. Minha consciência é prisioneira da Palavra de Deus.’’ Martinho Lutero
    Recordo-me de um Simpósio de Escola Bíblica Dominical em que participei recentemente numa importante igreja local em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro. Fui convidado para ministrar a palestra de encerramento do evento, onde a temática proposta versava sobre a busca da excelência no exercício do ministério cristão. Lembro-me que compartilhei sobre um dos maiores e talvez o mais significativo atributo para o exercício do ministério cristão: o exemplo pessoal. Creio fielmente que o exemplo é uma qualidade na vida do cristão e insubstituível para a sua credibilidade. É impossível dissociar a liderança espiritual do exemplo pessoal. Aliás, a liderança espiritual na vida de um ministro do Evangelho jamais será notada, caso não seja conquistada através do exemplo de sua vida diante do mundo que o cerca. E você? Será que tem sido exemplo em sua família, em sua comunidade, em sua cidade, estado ou país? Pense nisso.
    É importante ressaltar que as Escrituras, a história de Israel e a da Igreja, testificam que quando Deus encontra um homem que esteja disposto a cumprir Suas exigências, estando decidido a pagar o preço integral do discipulado, Deus o usa ao limite máximo, a despeito de suas imperfeições. Moisés, Davi, Gideão, Jeremias, Ezequiel, Martinho Lutero, John Wesley, William Carey, Charles Finney, Charles Spurgeon e muitos outros foram homens dessa envergadura. Creio que a maior necessidade da Igreja, para que ela cumpra sua missão nessa geração, é uma liderança espiritual, sacrificial e plena de autoridade vinda do alto. A Igreja sempre avançou e prosperou muito quando foi agraciada com líderes fortes, espirituais, que experimentaram em suas próprias vidas e em seus ministérios o sobrenatural de Deus. A carência de tais homens é um sintoma patológico que enfraquece a Igreja. Pense nisso.
    Um dos verdadeiros e grandes líderes do Exército da Salvação, Samuel Logan Brengle, homem erudito e de notável poder espiritual discorre com lucidez sobre o caminho que todo líder cristão deve seguir dizendo: “ A liderança não se ganha mediante promoção, mas através de muita oração e lágrimas. É obtida pela confissão de pecados, pela sondagem cuidadosa do coração, pela humildade diante de Deus, pela auto-entrega, pelo corajoso sacrifício de cada ídolo, pela tomada audaciosa, decidida, incondicional, sem reclamações, da cruz, e pela contemplação incessante, eterna, de Jesus crucificado. A liderança não é ganha mediante o considerar daquilo que é ganho, para nós, como perda, por causa de Cristo. Eis o grande preço a ser pago, sem qualquer hesitação, por todo aquele que não deseja ser apenas um líder nominal, mas um verdadeiro líder espiritual de homens, líder cujo poder é reconhecido e sentido no céu, na terra, e até no inferno.’’
    Creio firmemente que líderes espirituais não são produzidos através de eleição ou nomeação por homens ou grupos de homens, nem por reuniões eclesiásticas ou denominacionais. Aliás, a fétida e nociva “política’’ dos homens em certas comissões religiosas causa-me até mal estar. Entendo que só Deus pode fazer líderes, pois só Ele confere autoridade espiritual para quem Ele quiser. O simples fato de uma pessoa ocupar um cargo de importância ou de visibilidade não a torna um líder. Infelizmente, temos visto isso, e não são poucos ou escândalos que temos observado nessa geração, que mancham o ministério cristão. A Igreja precisa de líderes espirituais e não de mercenários hipócritas. Pense nisso.
    Portanto, precisamos compreender que Deus procura líderes que demonstrem que são dignos de autoridade espiritual delegadas por Ele, pois conquistaram essa confiança através do exemplo de suas vidas. As posições mais elevadas são reservadas para aqueles que se qualificaram em segredo. E você, meu irmão(ã)? Tem buscado a excelência em seu ministério? Seja exemplo! Ele espera por você ! ‘’ Em Deus faremos proezas...’’
    No amor de Cristo.

    Pr. M. Price

    LIDERAR NÃO É PARA QUALQUER UM

    14 Agosto 2009

    O exercício da liderança é um privilégio e uma responsabilidade de poucos. Líderes são responsáveis pela eficácia (fazer as coisas certas) e a eficiência (fazer as coisas da maneira certa) da organização. Quando você tem um problema de liderança, você tem um problema de líderes, e não de liderados. Espera-se, portanto, que os líderes sejam líderes, isto é, tenham no mínimo, uma visão clara do futuro para onde conduzem seus liderados, uma sensibilidade aguçada para que este futuro seja fruto dos sonhos e anseios dos liderados e um senso de responsabilidade para com a organização/organismo, pois os líderes não são servos dos liderados, mas servos da visão comum. Servir os liderados é a maneira como os líderes servem à visão, e não sua finalidade essencial.
    Diante destas responsabilidades, acredito que ninguém será capaz de exercer satisfatoriamente a função de liderança, sem o desenvolvimento de pelo menos três capacidades.

    A capacidade de conviver com a solidão
    Líderes são líderes porque enxergam, percebem, sentem, sabem, estão dispostos a sacrifícios, possuem paixão diferenciados em relação aos liderados. Um líder na média dos seus liderados é um liderado que está no lugar errado, a saber, ocupando a posição de líder. Águias não voam em bandos.
    A capacidade de tomar decisões impopulares
    John Kennedy disse que o segredo do fracasso é “tentar agradar todo mundo”. O líder deve sempre tentar construir consenso, mas deve ter coragem para tomar decisões e assumir responsabilidades. Caso contrário, será um “facilitador de discussões”, e não um líder de fato.
    A capacidade de conviver com críticas
    Como se diz no popular, “nem Jesus Cristo agradou todo mundo”. Nesse caso, uma vez que o líder se posiciona, assumindo sua responsabilidade de levar todo mundo rumo ao bem comum, certamente contrariará interesses particulares, e conseqüentemente será alvo de palavras duras e imerecidas. Sempre.

    Eis algumas razões porque o exercício da liderança não é para qualquer um.
    Pr. Ed Rene Kivitz