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  • A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ NA IGREJA LOCAL

    02 Abril 2010

    Texto baseado nas passagens de Neemias 8.1-12 e Mateus 28. 19 e 20.


    A importância do ensino da Palavra no contexto do Antigo Testamento
    No livro de Neemias podemos observar a importância do ensino da Bíblia (muito embora ainda não existisse esse conceito) quando notamos que o povo se reuniu para a ouvir.
    É interessante que houvesse real interesse pelo livro da lei, pois o texto diz: “E disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel” (Neemias 8.1).
    Para que a Palavra de Deus traga resultado para a vida é necessário que as pessoas se reúnam em torno dela, que as pessoas tenham alguém para lhes ensinar e que desejem ouvir.
    A Palavra não é discriminadora, pois seus ensinos são para homens mulheres e para todos que a possam entender. Deve-se dar grande importância à expressão entender, pois é isto que faz alguém mudar.
    Qual o melhor lugar para se ensinar as Escrituras? No caso de Esdras na praça em frente das portas das aguas (Neemias 8.3). Já com Filipe, na carruagem do servo etíope. Em nosso caso podemos ensiná-la na empresa, nas esquinas ou nas dependências da igreja. Todo lugar é adequado.
    Quem pode ensinar e qual o tempo adequado? Esdras era escriba, logo sabia o que estava falando. Assim como Esdras havia outros que tinham capacidade e conhecimento para ensinar, pois eram levitas (Neemias 8.8 e 9). Quanto ao tempo de estudo é dito que eles foram instruídos da alva ao meio-dia, isto é, das 6h às 12h.
    Além disso, é necessário destacar a postura dos que receberam os ensinos da Palavra de Deus naquele dia: “E os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da lei” (Neemias 8.3).
    Deve-se salientar também que a leitura do livro da lei trouxe comoção geral: “O povo chorava ouvindo as palavras da lei” (Neemias 8.9). O povo pode perceber o quanto havia errado contra Deus.
    Entretanto, aquele dia de leitura da Palavra de Deus devia ser de alegria e não de choro, era dia de se contar que “a alegria do Senhor é a vossa força” (Neemias 8.10)
    A importância do ensino da palavra no contexto do Novo Testamento
    Jesus desejava que sua igreja fosse uma entidade didática. A religião que fundou é uma religião de ensino. Este fato está explícito na grande comissão, em todas as partes convocam para um programa de educação e instrução.
    Neste programa o processo de fazer discípulos é o primeiro passo. A própria palavra discípulo significa aprendiz e, por conseguinte, invoca um processo educacional. Não existe melhor maneira de fazer discípulos do que ensinar a verdade que é Jesus: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (João 14.6).
    O segundo passo é o batismo dos discípulos (integração). O próprio batismo é um instrumento visual no ensinamento do poder salvífico da morte, do sepultamento e da ressurreição de Cristo. Esse ato simbólico deve ser interpretado e esclarecido para todos os candidatos ao batismo.
    O estágio final do programa de educação e treinamento é um processo contínuo - a saber, ensinar os discípulos a praticarem o que Jesus mandou. Isto requer um programa que envolve todos os membros da igreja. A conversão e o batismo não são o final do processo, pelo contrário, marcam o seu início. O batismo deve ser seguido por um programa contínuo de educação, caso contrário os convertidos permanecem bebês em Cristo e as consequências serão sérias para eles, para a igreja e para a causa de Cristo. Cometemos um erro grave quando supomos que a grande comissão trata apenas da conversão. Esta é somente a sua parte inicial.
    A importância de organizar na igreja um programa de educação cristã
    A educação religiosa tem como base o conceito de que Deus se revela como verdade infinita e que o ser humano é capaz de conhecê-lo em parte, mesmo que no aspecto da redenção. Isso deve levar a pessoa humana a crescer na graça e no conhecimento de Cristo até alcançar o pleno conhecimento da verdade.
    A educação religiosa tem por objetivo a formação de uma consciência que oriente a conduta do cristão à luz da Palavra de Deus, o seu desenvolvimento de modo a reproduzir nele o caráter de Jesus Cristo, na adoração, no comportamento ético, em todos os aspectos do seu viver e na submissão ao propósito redentivo do amor de Deus (Gálatas 4.19).
    O objetivo final da educação religiosa é levar o educando a alcançar a plena maturidade como ser humano criado à imagem e semelhança de Deus.
    A educação religiosa, ou cristã - como prefere a CBB - tem duas divisões importantes: divisão de Escola Bíblica Dominical (EBD) e divisão de crescimento cristão.
    A divisão de EBD cuida da integração, da formação e da busca da maturidade de cada crente, tendo como ponto de partida o seu nascimento espiritual.
    Muitos afirmam que a EBD deve ter caráter evangelístico, muito embora penso que a função dela seja formar discípulos já alcançados (Mateus 28.20). Quanto ao evangelismo, as igrejas têm departamentos próprios para este tipo de trabalho (Mateus 28.19).
    Então reafirmo que a EBD trabalha com os alcançados pela evangelização. Mas não é demais dizer que, na ministração das aulas, o professor pode, e deve, levar os seus alunos a uma decisão ao lado de Cristo.
    Para terminar afirmo que a EBD, na sua função formativa do caráter cristão no novo aluno, precisa ter no seu quadro docente pessoas qualificadas para o ensino (Romanos 12.7).

    Que Deus nos abençoe.

    Fonte: www.ojornalbatista.com.br

    POR QUE NO DOMINGO?

    07 Março 2010

    Essa pergunta pode ser embaraçadora. Por que adoramos a Deus no domingo? A Bíblia não diz que o sétimo dia é o tempo consagrado a Ele por seu povo? Onde as Escrituras dizem que o crente deve santificar o primeiro e não o sétimo dia da semana? Essas perguntas são legítimas, temos de admitir; também são perguntas que exigem resposta. Portanto, o que podemos dizer sobre este assunto?

    Criação e Redenção

    Comecemos considerando as evidências do Antigo Testamento. Neste, o sábado não era apenas um dia especial, que deveria ser reconhecido uma vez por semana. Tinha um significado mais rico. Apontava para o futuro descanso de redenção que Deus realizaria em favor de seu povo. O sábado não era apenas um lembrete do descanso que ocorreu após os seis dias de criação. Também era celebrado porque Deus libertara seu povo da escravidão no Egito.

    Deus repetiu o mandamento a Moisés depois que Israel peregrinou no deserto durante quarenta anos, pouco antes de entrarem na terra da promessa. Quando Deus repetiu a lei que havia sido entregue no Sinai, os Dez Mandamentos foram os mesmos. Nenhum deles foi alterado. Mas o motivo para a lei referente ao sábado era diferente. No Sinai, o povo de Deus foi instruído a observar o sábado, por- que Deus havia descansado após os seis dias de criação (Êx 20.11; cf. Gn 2.3). Mas na Transjordânia Deus ordenhou que Israel guardasse o sábado tendo em vista a sua redenção do Egito (Dt 5.5). Não somente por causa da criação, mas também por causa da redenção, o povo de Deus deveria descansar um dia em sete.

    Sabemos que a libertação de Israel da escravidão no Egito, por intermédio do cordeiro pascal, era apenas uma sombra, uma profecia de uma libertação que ocorreria através da morte sacrificial e da poderosa ressurreição de Jesus Cristo. Os santos do Antigo Testamento olhavam adiante, para a vinda do futuro descanso de seus fardos de pecados, assim como em cada semana olhavam para seu descanso do trabalho, no sábado. Portanto, quando Israel entrou na terra do seu “descanso”, sob a liderança de Josué, marcharam ao redor de Jericó por sete dias. E, no sétimo dia, marcharam sete vezes ao redor das muralhas da cidade. Após haverem completado a marcha pela sétima vez, no sétimo dia, as muralhas ruíram, e o povo de Deus começou a entrar em seu “descanso”, na terra de Canaã. A tomada de Jericó forneceu uma ilustração do povo de Deus entrando em “descanso sabático”.

    De maneira semelhante, os setenta anos do cativeiro de Israel indicavam o descanso da redenção que viria à terra prometida. Durante os setenta anos do cativeiro de Israel na Babilônia, a terra estava se agradando “dos seus sábados” (2 Cr 36.21).

    Essas experiências do Antigo Testamento demonstraram que o povo de Deus estava olhando para o “descanso”, a redenção que seria realizada pelo Messias, no futuro. Trabalhavam seis dias da semana aguardando o “descanso” que no futuro desfrutariam. Pensavam na terra da promessa como o lugar onde eles entrariam no “descanso” de todos os fardos de sua vida.

    Uma Nova Perspectiva

    Mas agora a redenção já se realizou. Jesus veio para cumprir a profecia. Por meio de sua morte e ressurreição, trouxe seu povo ao seu “descanso” da redenção. Nós olhamos para trás, para a salvação consumada por Cristo. “Está consumado” foi o clamor de Cristo na cruz, e, por isso, sabemos que tudo foi realizado para libertar-nos do pecado, da morte e de todos os males deste mundo.

    Por conseguinte, o crente possui uma nova perspectiva sobre o descanso da redenção. A ressurreição de Cristo foi um acontecimento tão significativo quanto a criação do mundo. Por meio de sua ressurreição, a nova ordem de universo veio à existência. Uma nova maneira de viver passou a existir. A pedra foi rolada do sepulcro de Jesus a fim de permitir que os discípulos entrassem, não para que Jesus saísse! Por causa de sua nova forma de existência no corpo da ressurreição, Ele podia entrar e sair de cômodos fechados, sem necessidade de abrir as portas.

    A Ressurreição de Cristo

    Não deveria nos levar a ficar admirados o fato que os discípulos seguissem uma nova ordem em seus padrões de adoração e serviço para Deus. Eles começaram a se- mana reunindo-se com o Cristo ressurreto. Iniciavam a semana com uma celebração da redenção que fora realizada por Cristo. Considere atentamente as seguintes evidências de que a redenção realizada por Cristo determinou o dia da adoração.

    1. Jesus Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana (Mt 28.1). Ele entrou no “descanso” das obras não em um dia de sábado (o sétimo dia), e sim no domingo (o primeiro dia da semana). Visto que Jesus entrou em seu descanso no primeiro dia da semana, Ele nos encoraja a iniciar a semana “descansando” na confiança de que Ele suprirá, com apenas seis dias de trabalho, todas as nossas necessidades para os sete dias da semana.

    2. Jesus apareceu aos seus discípulos reunidos na primeiro dia da semana, bem como a Maria e aos dois discípulos na estrada de Emaús (Jo 20.10,14,19; Lc 24.13). Por meio dessas aparições, no primeiro dia da sema- na, a ressurreição do Senhor estabeleceu um padrão para as reuniões dos discípulos. Esperavam ter comunhão com Ele no dia de sua ressurreição, que é o primeiro dia da se- mana.

    3. Uma semana depois, Jesus apareceu novamente aos discípulos reunidos no primeiro dia da semana, sem estar presente nessa ocasião o duvidoso Tomé (Jo 20.26). Um novo padrão de reunir-se para adorar o Senhor estava emergindo. O povo de Deus na nova aliança estava criando o hábito de reunir-se no primeiro dia da semana, o dia da ressurreição de Cristo. Jesus honrou essas reuniões, ao aparecer aos discípulos nessas ocasiões e fortalecer sua fé no Senhor ressurreto.

    4. O Senhor ressuscitado derramou seu Espírito exata-mente cinqüenta dias após o sábado da páscoa dos judeus, ou seja, aparentemente, no primeiro dia da semana (At 2.1; Lv 23. 15,16). O significado da palavra “pentecostes” é “cinqüenta”, referindo-se aos cinqüentas dias após o sábado da Páscoa. Quarenta e nove dias alcançariam sete sábados ou dias de descanso, e o qüinquagésimo dia seria um domingo, o primeiro dia da semana. Desse modo, parece que o Espírito Santo foi derramado no primeiro dia da semana, quando o povo de Deus da nova aliança estava reunido para adoração. Assim esse padrão referente ao dia da adoração seria estabelecido com mais firmeza. Tanto a ressurreição de Cristo quanto o derramamento do Espírito realizaram-se no primeiro dia da semana.

    5. Durante o tempo em que o apóstolo Paulo pregava o evangelho de Cristo entre judeus e gentios em todo o mundo, o primeiro dia da semana era utilizado como a ocasião em que os crentes se reuniam para adoração. Na Grécia, Paulo e Lucas reuniram-se com o povo de Deus, a fim de partirem o pão e ouvirem a pregação da Palavra de Deus, no primeiro dia da semana (At 20.7). Esse era o dia em que o povo da nova aliança se reunia para ouvir a Palavra de Deus.

    6. Paulo escreveu aos crentes de Corinto para estabelecer o padrão referente às suas ofertas para o serviço do Senhor. Paulo ordenou que os crentes daquela cidade seguissem o padrão que havia sido estabelecido na Galácia (1 Co 16.1). No primeiro dia da semana, eles deveriam consagrar suas ofertas ao Senhor (1 Co 16.2). Ora, esse padrão referente ao dia de adoração se tornou comum a todos os crentes, em todas as igrejas. O primeiro dia da semana foi o tempo designado para eles apresentarem suas ofertas ao Senhor.

    O Dia do Senhor

    O sétimo e final assunto é este. O apóstolo João, em idade avançada e possivelmente o único sobrevivente do grupo dos primeiros apóstolos, havia sido banido para a ilha de Patmos. Nesta circunstância, ele não podia reunir-se com o povo de Deus para adoração. Mas o idoso após-tolo nos informa que achou-se, “em espírito, no dia do Senhor” (Ap 1.10). O significado desse achar-se “em espírito, no dia do Senhor” parece bastante claro. Pelo poder do Espírito Santo, ele entrara na presença do Senhor e estava oferecendo-Lhe sua adoração.

    Mas o que significa a frase “dia do Senhor”? Em certo sentido, podemos dizer que cada dia da semana poderia ser chamado “dia do Senhor”. Mas o apóstolo João estava se referindo a algo mais específico. Ele não falou apenas sobre “um dia que havia sido consagrado ao Senhor”; pelo contrário, falou sobre o dia do Senhor. Por que esse dia era chamado o “dia do Senhor”? Esse é o dia que prova ao mundo que Ele é o Senhor. Nesse dia, Jesus fez o universo entender que Ele é o Senhor de tudo que existe. Foi o dia de sua ressurreição. Naquele dia, Ele venceu o último dos inimigos do pecador, a morte. No primeiro dia da semana, Ele mostrou que seu poder pode vencer todos os inimigos, até mesmo a morte. Este é “o dia do Senhor”.

    Honrando a Deus

    Nos dias do final da vida do apóstolo João, os crentes reconheciam que havia um dia da semana chamado “o dia do Senhor”. Naquele dia, eles celebravam a ressurreição de Cristo e o derramamento do Espírito. Aquele dia tornou-se o dia em que eles se reuniam para regozijarem-se na ressurreição de Cristo, pelo poder do Espírito Santo.

    O mesmo acontece até hoje. Ainda permanece em vigor o mandamento original de honrar a Deus por separarmos um dia entre sete para adorá-Lo, visto que essa exigência fazia parte dos dez mandamentos preceituados nos padrões da lei moral de Deus para os homens. Um dia entre sete tem de ser consagrado a adoração e culto a Ele. Tanto a criação quanto a redenção comprovam que Deus precisa ser honrado dessa maneira.

    Desde a criação do mundo até a vinda de Cristo, esse dia era o último da semana. Os crentes do Antigo Testamento olhavam para frente, para o descanso que o Salvador traria.

    Mas Cristo já veio. Ele ressuscitou vitoriosamente sobre to- dos os seus inimigos. Essa vitória foi conquistada no primeiro dia da semana. Nesse dia, o Senhor Jesus foi ao encontro de seus discípulos, que estavam reunidos para ter comunhão com Ele.
    Portanto, temos de celebrar o descanso que Ele conquistou para nós. Devemos entrar no seu descanso por oferecer-lhe nossa adoração no primeiro dia da semana. Esse é o único padrão demonstrado nas Escrituras do Novo Testamento em referência ao dia de adoração para o povo de Deus.

    Autor: O. Palmer Robertson

    Fonte: Editora Fiel

    ALIMENTANDO AS OVELHAS OU DIVERTINDO OS BODES

    Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.
    Minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela? .Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. (Mc 16.15) . isso é bastante claro. Se Ele tivesse acrescentado: .E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho., assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais: .Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres. (Ef 4.11). Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires.
    Novamente, prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? .Vós sois o sal., não o .docinho., algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: .Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. (Lc 9.60). Ele estava falando com terrível seriedade!
    Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores. Não O vejo dizendo: .Pedro, vá atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira! . Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: .Retirai-vos, separai-vos e purificai-vos!. Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos. Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram: .Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado uso da recreação legítima, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos.. Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles .transtornaram o mundo.. Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta aos métodos dos apóstolos.

    Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.
    Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos. 

    Autor: Charles Haddon Spurgeon

    Fonte: Editora Fiel

    PARA RECONSTRUIR É NECESSÁRIO OUVIR AS PESSOAS E ACEITAR A SUA COOPERAÇÃO

    18 Fevereiro 2010

    Este capítulo de Neemias é lindo. Contudo, os comentaristas muitas vezes não o apreciam por causa da lista de nomes que aparece aqui. Aliás, é uma prática comum no livro de Neemias. Ele aprenseta sempre uma lista de nomes. Eis aqui mais uma listagem, só que esta é diferente. Aqui é a fundamentação de como vai acontecer o repovoamento da cidade.
    É interessante notar que o texto não fala de nenhuma iniciativa de Neemias. Fala da atitude do povo. O que as pessoas do povo fizeram para o povoamento de Jerusalém. Sendo assim, podemos afirmar que Neemias era um homem que ouvia o povo. Escutava suas sugestões e as acatava. Esta é uma característica que sobressai em todo o livro. Mostra que ele é um verdadeiro homem de Deus, pois como Tiago afirma: "Sabei isto, meus amados irmãos: Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar." (Tg 1.19). Os líderes actuais estão ouvindo as sugestões que lhes são apresentadas?
    As boas ideias devem ser postas em prática. Foi o que aconteceu aqui. A cidade santa precisa ser repovoada. Sendo assim, ela deve ser repovoada por um povo santo. A igreja é o povo de Deus. É o povo santo, que foi chamado pelo Senhor para estar na sua presença. Povo adquirido por bom preço. Por este motivo devemos viver de em santidade de vida.
    Olhando para este capítulo, quais as lições que aprendemos para as nossas vidas?
    Reconstruiremos vidas quando ouvimos às pessoas. Isso parece óbvio, mas é a realidade. Já foi mencionado que é uma característica de Neemias. Contudo, este facto é uma característica dos servos de Deus. Moisés ouviu as orientações do seu sogro e por isso pode conduzir o povo de Israel pelo deserto. Quantas vezes estamos em diálogos com as pessoas, mas na realidade não ouvimos o que elas nos dizem?
    O problema é que estamos nos isolando. Há uma espécie de medo em nossos dias. Líderes ficam quietos e procuram não conviver uns com os outros por temerem que os outros tomem o seu lugar. Não compartilham as coisas. Contudo, como afirmou Larry Crabb: "O individualismo exacerbado, a independência orgulhosa e o isolamento voluntário corrompem a natureza da nossa existência, tanto quanto tentar respirar debaixo d´água."[i] É isso que está acontecendo connosco. Estamos fugindo dos outros. Não queremos nos relacionar.
    Neemias ouvia as pessoas. Aceitava suas sugestões. Por isso a reconstrução de Jerusalém estava se concretizando. Nós precisamos aprender ouvir os outros. Precisamos ter em nós a mesma atitude do Senhor Jesus, pois a "vida de Cristo só flui de mim para outro quando reger de bom grado pela paixão de conhecer o outro, de abençoá-lo e de ser conhecido por ele, para que juntos possamos desfrutar da comunhão com Cristo e um com o outro."[ii] Foi exactamente isto que aconteceu com Neemias. O povo se conhecia. Isso fica claro pelo conhecimento das genealogias. Abençoavam-se mutuamente (v.2) e juntos desfrutavam da adoração. E nós como nos encontramos como igreja do Senhor Jesus?
    Precisamos ouvir os conselhos e pô-los em prática para que sejamos bem sucedidos.
    Reconstruiremos vidas quando aceitarmos a dedicação dos outros. O versículo 2 mostra a dedicação das pessoas. Homens voluntariamente se ofereceram para habitar Jerusalém. Abdicam das suas vidas para ajudar a desenvolver o projecto do Senhor. "Voluntariamente deixam de lado suas diferenças pessoais e trabalham juntos para atingir a harmonia e um espírito de grupo certo."[iii] Sem o envolvimento e a dedicação das pessoas, a reconstrução das vidas seria um fracasso. Não podemos realizar tudo sozinhos. Necessitamos de ajuda. Precisamos de pessoas que assumam responsabilidades e se disponham a desenvolver ministérios que apoiem à liderança da igreja.
    Líderes não podem fechar às portas para os seus irmãos que estão sedentos para se envolverem no trabalho da igreja. Não podem pensar que são os donos da verdade e que sabem tudo e por isso, todas as coisas devem ser feitas sob as suas ordens. Devemos nos voltar para o exemplo de Neemias. Precisamos ver o quanto ele ouviu o seu povo. É necessário entender como ele aceitou a dedicação das pessoas e permitiu que elas desenvolvessem os seus ministérios para a solidificação da obra. O que nós temos feito?
    Neste envolvimento, Neemias fez a separação das águas. Não permitiu que a política se envolvesse com a religião. Será que ele era batista? Este é um dos princípios basilares dos batistas. "Entidades políticas e religiosas são mantidas separadamente. A herança espiritual de Israel forma a base do seu sistema de governo e regula os padrões éticos, mas não são os sacerdotes que regem o povo! Neemias estabelece a diferença entre deveres religiosos e seculares, é suficientemente sábio para usar esta divisão natural ao delegar responsabilidades e dividir a responsabilidade administrativa da cidade."[iv] Cada coisa em seu lugar. Assim devemos fazer nos ministérios da igreja. Cada um deve estar envolvido no seu ministério e preocupar-se com o mesmo, sem ficar intrometendo- se no ministério dos outros.
    O crescimento da igreja depende do envolvimento dos seus membros. Crentes que voluntariamente abdicam de certas coisas para abençoarem outras vidas. Crentes maduros que desejam ver a reconstrução de vidas, para que isso aconteça, a liderança deve aceitar sua dedicação e envolvê-los activamente.
    Reconstruiremos vidas quando as pessoas forem integradas ao grupo. É aqui que falhamos. Temos bons programas de ensino. Há uma boa organização. Contudo, as pessoas estão em busca de calor humano e comunhão. Hoje mais do que nunca as pessoas desejam fazer parte de um grupo, querem ter um sentido de segurança. É por isso que estamos perdendo muita gente. Não estamos compreendendo a real necessidade dos que têm vindo até nós.
    Se formos sinceros e olharmos atentamente para o texto de Neemias, veremos que as pessoas foram buscar o seu lugar de origem. Desejavam estar num sítio onde tinham afinidades. Não queriam se sentir estranhas. Desejavam estar no seu grupo, sentindo o calor humano. É isso que nós devemos oferecer a elas. Jesus ofereceu isso. Foi presente, aceitou cada indivíduo e valorizou-o pelo que ele era e nunca pelo que tinha. Nosso problema é que estamos fazendo acepção de pessoas. Temos nossas preferências e por isso, deixamos outros de lado. Contudo a Bíblia adverte-nos que isto é pecado (Tg 2.1). É comum em nossas igrejas dar prioridade aos que têm títulos e que sobressaem na sociedade em detrimento dos que são simples.
    Não conseguimos uma integração completa. Muitas vezes parece que somos seres de outro planeta. Muitas igrejas não conseguem compreender os jovens que ficaram conhecidos como a geração x. É por este motivo que Kevin Graham diz: "Entramos na igreja com a nossa auto-estima já machucada. Descobrimos então que a igreja nos faz sentir ainda mais culpados e indignos. A pregação é crítica ou irrelevante para nossa vida. A música é fraca. A liturgia é tediosa e sem sentido. Todos se vestem num "uniforme" evangélico, com sua melhor roupa dominical, fazendo-nos sentir maltrapilhos, inferiores e deslocados. Vamos a igreja tomando posições preconceituosas que dividem as pessoas e inferioriza certos grupos."[v]
    A igreja precisa deixar seu jeitão de ser e começar a compreender as pessoas. Deve dedicar-se a elas para que aconteça a verdadeira integração, pois "como estamos na pós-modernidade, sem qualquer referencial, as pessoas podem vagar de um lado para outro, tangidas pelo vento de emoções, pressão de grupo, ou quaisquer modismos."[vi] Este é o cristianismo que está sendo vivido em nossos dias. Contudo, Neemias nos ensina a lutar buscando uma integração total. Isso só é possível se a igreja desenvolver um conceito de discipulado que mostre que a igreja é apresentada como a noiva de Cristo e isto simboliza que assumimos um compromisso sério uns com os outros levando esse compromisso como um casamento.
    Que como igreja possamos aprender ouvir o clamor das pessoas. Aprendamos a aceitar a dedicação dos outros para desenvolvimento de algum ministério e fundamentalmente lutemos para que haja integração de todas as pessoas pelo que elas são e nunca pelo que representam ser.

    Fonte: Informativo Vigiai.

     

    A MISSÃO DA IGREJA NA PROCLAMAÇÃO DO REINO

    11 Fevereiro 2010

    A igreja tem uma tarefa suprema sobre a terra: proclamar as Boas Novas do Reino a todos os povos. Em Mateus 28 encontramos o “Ide” de Jesus como um imperativo bíblico que nos incumbe dessa grande responsabilidade cristã. A pregação do Evangelho em todos os lugares, alcançando todos os povos ou etnias concomitantemente, deve ser uma realidade para o crente, caso contrário, há uma deficiência na prática ou um desvio conceitual sobre a nossa missão na terra.
    A igreja deve executar a missão de pregar (proclamar) o Reino do Senhor Jesus Cristo de forma incondicional, pois pesa sobre nós esta obrigação como discípulos. O Dr. Russell P. Shedd disse: “Cristo trouxe Deus para o mundo de um modo que podia efetuar a reconciliação do mundo. Deus, a única fonte de vida, que não pode morrer, morreu em Cristo, o Deus encarnado” - Shedd. Deus fez a parte dele para nos reconciliar através da morte de Jesus na cruz. A igreja, na execução de seu papel missionário, não pode eximir-se do compromisso de embaixadora de Deus. A razão principal da existência da Igreja é a proclamação do seu Reino ao mundo perdido e parar isso precisamos ter consciência de que somos instrumentos no mistério da graça celestial para levar outros a conhecer a suprema verdade: Jesus.
    Para levar o Evangelho ao pecador, a igreja precisa contextualizar a mensagem sem deixar-se contaminar pelo sincretismo religioso. É preciso entender a cultura local para transmitir uma mensagem que faça sentido, sem deixar, em hipótese alguma, de ser genuinamente bíblica. Devemos levar em conta as características culturais inseridas na comunidade receptora, seus costumes, crenças, valores e tradições, a fim de transmitir Cristo de forma compreensível. “O trabalho transcultural requer sensibilidade diante dos costumes e rituais do povo, distinguindo aquilo que é demoníaco e o que é cultural” (ATAÍDES, Florencio de. Revista Ultimato, Nº. 321, Viçosa, 2009, p. 55). Devemos entender que nem tudo que é diferente é antibíblico ou maligno, mas consequência do pecado que contaminou a natureza humana. O antropólogo Paul G. Hiebert diz que “por causa do pecado do homem, todas as culturas também possuem estruturas e práticas pecaminosas” (O Evangelho e a Diversidade das Culturas.Vida Nova, 2009, p. 33). Essa é a realidade do ser humano, ele é pecador e precisa da graça de Deus e da ação do Espírito Santo para transformar sua vida, fazendo-o nova criatura.
    Para levar o Evangelho ao homem perdido, principalmente a um povo culturalmente diferente, é imprescindível um preparo adequado. Uma vez que o missionário esteja devidamente preparado, enfrentará com mais segurança o choque cultural que ocorre frequentemente no campo transcultural. O choque cultural pode deixar o missionário num estado deprimente, resultando, não raras vezes, num retorno prematuro, tendo como consequência muitas frustrações, traumas, stress, depressões, decepções, etc. O bom preparo do candidato é essencial para que ele saiba contextualizar a mensagem do Evangelho, adaptando-a ao contexto em que está trabalhando. O pesquisador William Taylor compara o treinamento do missionário ao alicerce de um edifício: “Em qualquer edifício, o alicerce é vital para sustentar toda a construção. A durabilidade de todo o edifício depende da qualidade de seu alicerce” (Valioso Demais Para Que se Perca. Descoberta, 1998, p. 43). Infelizmente, a falta de preparo tanto intelectual (teológico e missiológico) como espiritual (jejum, oração e leitura bíblica) tem possibilitado a ruína de “edifícios” que aparentemente eram inabaláveis. Está no topo da lista de uma das principais causas de retorno prematuro de missionários nos dias atuais. Baseado em estatísticas, concluímos que para eliminar essa brecha é necessário que aqueles que são chamados por Deus para levar a Palavra devem preparar-se em todas as áreas, caso contrário, ficarão vulneráveis aos perigos constantes dos tropeços no ministério. Isto trará consequências desastrosas ao Reino de Deus e dificultará a proposta de levar o Evangelho a todos os povos.
    Diante da responsabilidade que a Igreja tem de proclamar o Evangelho do Reino aos povos e nações, devemos identificar as culturas e entendê-las assumindo uma postura humilde de servir e de trabalhar segundo os ensinos de Cristo.
    É importante compreender o significado de missões transculturais, parte inerente da consciência missionária da Igreja. Para o Pr. Edson Queiroz, a missão da igreja “é levar a mensagem do evangelho atravessando uma barreira cultural” (A Igreja Local e Missões. Vida Nova. 1991, p. 15). O que isso quer dizer? Que não há barreira que possa segurar-nos, que devemos levar a palavra destemidamente até os confins da terra, essa é a nossa missão!
    Segundo o teólogo suíço Karl Barth, o papel missionário da igreja “significa enviar, enviar às nações com propósito de testificar o evangelho, o qual representa a raiz da existência e, ao mesmo tempo, a raiz também de toda a tarefa do povo de Cristo” (Citado In: ATAÍDES, Florencio de. A Vocação Missionária da Igreja. Aleluia. 2006, p. 45) A missão principal da igreja é missões, sem essa consciência ela falha no seu papel missionário, pois não se pode separar missão e missões, as duas coisas estão intrinsecamente relacionadas.
    A Igreja é chamada para fazer missões e essa é uma responsabilidade de cada cristão. Cada crente deve colocar-se à disposição para servir ao Senhor sem se importar com alguns fatores estranhos no campo transcultural como comportamento, valores e crenças que, às vezes, parecem inaceitáveis aos nossos olhos.
    Concluímos afirmando que a igreja precisa entender com urgência o seu papel no mundo, empenhando todas as suas forças para cumprir a sua missão: fazer missões “enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 4.34) como disse o Senhor Jesus. Que Deus, em sua infinita graça, ajude-nos a cumprir com alegria e seriedade o ministério que recebemos do Senhor e não sejamos achados em falta no último dia. Amém

    Autor: Florencio M. de Ataídes.

    IGREJAS CHEIAS DE PESSOAS VAZIAS

    24 Novembro 2009

    Embora muitas igrejas estejam cheias, inumeras pessoas ali parecem continuar vazias de sentido de viver
    Recentemente, ouvi o pastor Carlos Alberto Bezerra, dirigente da Comunidade da Graça, falar que há muitas igrejas cheias de pessoas vazias. Uma frase de forte impacto e com muita razão. Ele falava de igrejas que não vivem o sadio Evangelho.
    Tenho observado que há mesmo muitas igrejas cheias – considerando aqui igreja como o espaço nobre da vivência do sagrado. É claro que Jesus não morreu pelo espaço e pelos objetos que estão nesse espaço. Mas tenho também observado que, embora muitas igrejas estejam cheias, inúmeras pessoas ali parecem continuar vazias de sentido no viver. Em vez de entregarem não só a alma para Jesus, ainda não lhe entregaram tudo o que têm (negando-se a si mesmas, conforme Lucas 9.23). Antes, estão buscando um Deus de avental, pronto a servi-las com todas as benesses celestiais e principalmente materiais.
    São pessoas que não estão dispostas a buscar o arrependimento, o perdão, o abandono de uma vida egoísta e consumista dos bens e riquezas, que foram mal nos negócios, no emprego, que não souberam planejar sua vida e recursos e agora estão na pior. Então, buscam o Deus-panacéia, o Deus-resolve-tudo, tipo um consertador, uma espécie de “clínico geral”.
    Muitos líderes e igrejas são oportunistas, pois o mundo, estando cheio de pessoas com esse perfil, fornece os clientes potenciais para rechear o caixa da igreja e seus bolsos. Por meio da pregação de um evangelho antropocêntrico, despido da verdade bíblica, transformam Deus em mercadoria de bom preço. Estão dispostos a pôr o Senhor para trabalhar para você a um custo inicialmente baixo, mas, se feito um balanço, o custo será alto, não apenas financeiro, mas também quanto ao que de mais importante existe na vida – a perda de seu significado.
    Outro dia, recebi um e-mail de uma pessoa que freqüenta uma igreja assim, ela estava desiludida, pois já havia gastado tudo o que tinha e nada conseguiu resolver de sua vida. Caiu no conto do “vigário”, desculpem-me, no conto do “pastor”!
    A realidade é que as pessoas estão vazias não porque estejam desempregadas, com saldo devedor, com enfermidades, com a perda de um ente querido. Estão vazias porque o buraco dentro de suas vidas é do tamanho exato de Deus, o vazio é a perda de sentido na vida, de objetivo em viver.
    Jesus disse “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10). Não é porque você entregou a vida a Jesus, que adquiriu a imunidade a vírus, bactérias, morte, perda de emprego, etc. Como nova criatura, você vive, não mais você, mas Cristo vive em você (Gl 2.20), ele é quem vai dar significado à sua vida, a visão de mundo agora é outra, os bens são meros acessórios, muitos deles dispensáveis, você vai buscar um estilo simples de viver, por isso é possível dizer “Em tudo dai graças” (1Ts 5.18). Uma vida grata é uma vida cheia de sentido.
    Lourenço Stelio Rega
    é teologo, educador e escritor.

    EVENTO É VENTO

    29 Outubro 2009

    Ao longo do tempo confundiu-se o dom pastoral com a função da gestão eclesiástica e muitos pastores acabam tendo de investir tempo nisso, pouco sobrando para o cuidado das vidas
    Há poucos dias um aluno comentou que sua igreja era movida a eventos e que falou com seu pastor que evento é como vento, vem e some. Isso me acendeu uma forte preocupação e acabou dando título a este artigo.
    Ao longo destas mais de três décadas de ministério tenho percebido que muitas igrejas acabam mesmo sendo movidas por eventos. Aliás, até que não é difícil gerenciar (não seria pastorear) uma igreja assim, dou a dica para você: basta fazer uma reunião antes de findar o ano com todos os líderes da igreja, elaborar um calendário repleto de atividades semana após semana. A você caberá cobrar antecipadamente ao responsável que tome providências para que a atividade programada seja cumprida. Seja rigoroso. Tire fotos, faça relatórios, coloque tudo no site da igreja e mostre que o “circo” está em movimento. Se alguém ficar doente no meio do caminho é só falar que a pessoa tem de dar um jeito e se sacrificar para o “reino” pois o show não pode parar.
    Um dado curioso é que, em geral, as denominações históricas no Brasil foram organizadas por missionários norte-americanos. Vamos lembrar que uma das ideologias impulsoras da cultura norte-americana é o pragmatismo, que focaliza a ação, a utilidade. Creio que temos aqui as raízes históricas que podem ter nos induzido a reduzir o Cristianismo a atividades eclesiásticas, de modo que ser cristão significa simples e meramente trabalhar na igreja. Isso pode ter passado para as outras denominações que surgiram ao longo da história da igreja no Brasil.
    Nesse sentido o pastor da igreja passa a ser gerente de calendário em vez de pastorear, cuidar do rebanho. O afeto, tão caro ao espírito do pastoreio, é substituído pelo poder, pelo comando, de modo que quando o pastor está chegando perto de alguém logo se pode pensar “Lá vem sermão (sinônimo para bronca”)!
    Será preciso recuperar o lado relacional, convivencial, terapêutico, piedoso e amigo do pastoreio. Infelizmente ao longo do tempo confundiu-se o dom pastoral com a função da gestão eclesiástica e muitos pastores acabam tendo de investir tempo nisso, pouco sobrando para o cuidado das vidas e não apenas da utilidade de cada ovelha para o trabalho eclesiástico.
    Igreja é muito mais do que evento, é uma comunidade terapêutica, provedora de acolhimento, de comunhão, compartilhamento, de socorro, de serviço, de testemunho, de aprendizagem, de disciplina também. É um ambiente fértil para o desenvolvimento da vida em adoração e glorificação a Deus. O resto é vento.

     

    Lourenço Stelio Rega
    é teologo, educador e escritor.

    VIROU BAGUNÇA – AGORA VALE TUDO

    17 Setembro 2009

    Não deixem de abrir o link e ler, para entender meus comentários: Noites de luta e reggae 'enchem igrejas evangélicas no Brasil', diz 'NYT' - Estadao.com.br
    Quando li a notícia fiquei pensando nos dias em que eu era seminarista, evangelizando na cidade de Olinda, Pernambuco, em bairros famosos pelo alto índice de jovens e drogas. Eu costumava promover encontros com música "gospel" para reunir os jovens, realizar acampamentos e eventos onde sempre havia a pregação da Palavra e evangelização.
    Mas, sempre nos deparávamos com um problema: onde arrebanhar os jovens que se "convertiam" nestes eventos? Eles estranhavam demais as igrejas tradicionais, para onde os enviávamos. E os membros destas igrejas também os estranhavam, pela maneira de se vestirem, tatuagens, brinquinhos, cabeludos... ficávamos diante de duas alternativas. A primeira, que nunca quisemos, de abrir uma igreja diferente para abrigar estes jovens. A segunda, que acabou não funcionando, que era convencer os pastores das igrejas tradicionais a se adaptarem ou criarem espaços em suas igrejas para receber estes jovens, uma espécie de ante-câmara preparativa para o ingresso nas igrejas.
    Várias das igrejas históricas tradicionais, diante das rápidas e profundas mudanças culturais que estavam acontecendo na década de 80 e 90, preferiram ficar na zona de conforto cultural e se fecharam para um mínimo de abertura. Adaptações culturais poderiam ter sido feitas, para receber estas gerações, sem comprometer as doutrinas da graça, o culto a Deus, e o bom andamento destas igrejas.
    Quando vejo hoje notícias como esta, que encabeça este post, percebo que criar novas igrejas fundadas em cima dos pressupostos, custumes e práticas de uma geração -- como por exemplo, o movimento das igrejas emergentes nos Estados Unidos e suas similares aqui no Brasil -- acaba levando a isto que estamos vendo, como a Renascer, tendo que promover sempre novidades, como luta livre, para atrair jovens e mantê-los na comunidade. Por outro lado, lamento que as igrejas tradicionais têm tido dificuldade em fazer adaptações mínimas que possam tornar mais fácil o ingresso desta geração em suas fileiras, como música contemporânea de boa qualidade e teologicamente sadia, liturgias centradas em Deus que ao mesmo tempo engagem o povo em adoração e reflexão, programações sociais e encontros atrantes e relevantes, com conteúdo e diversão, pontes para evangelização que nos coloquem em contato com esta geração e nos permitam levar-lhes de maneira relevante e significativa a mensagem sempre atual do Evangelho de Cristo.
    Luta-livre em igrejas evangélicas como método de crescimento de igreja, embora nos choque, é a conclusão lógica da teologia pragmática que sustenta o movimento de crescimento de igrejas, que se pensava que estivesse defunto, mas eis que ressurge pelas pesadas portas abertas das igrejas emergentes. Nesta visão, vale tudo para encher igrejas. E aquelas que não estão dispostas a encher seus salões a qualquer preço, são vistas como retrógradas, sem o Espírito Santo, fechadas, etc.
    Comentando o assunto com Solano, ele me escreveu o seguinte: "os jovens precisam também entender que conversão e teologia correta envolvem várias mudanças comportamentais, considerações pelos outros, abnegação – para não forçar os direitos ou estilos de vida sobre os outros. Ou seja, nem toda tradição é careta – muitas coisas têm razão de ser. Uma igreja que se estruture só para jovens ou para abrigar um determinado tipo de cultura, se tiver a teologia correta, cedo verificará a necessidade de estar ministrando a famílias, a ter departamentos infantis, presbíteros, diáconos, etc."
    Existem igrejas que têm feito tentativas de acolher a presente geração sem contudo prejudicar o serviço aos mais velhos e sem comprometer a boa teologia, como a de Mark Driscoll, em Seattle, que preza uma teologia correta e prega arrependimento, inerrância da Palavra, céu e inferno, mediação de Cristo e a soberania de Deus; mas que desenvolve uma abordagem contemporânea e assim pode cumprir funções evangelísticas cruciais no Corpo de Cristo, em seu sentido mais amplo.
    Todavia, à medida que igrejas como esta do Driscoll envelhecem, e os jovens de hoje começarem a constituir famílias, ter filhos e envelhecer, elas terão de se adaptar outra vez para não perder o rebanho. E lá virão as reuniões de casais, cursos sobre famílias, encontros da terceira idade, reuniões de senhoras, etc. É inevitável. Esta síndrome de Peter Pan destas igrejas cedo esbarrará na realidade inexorável do envelhecimento.
    Lamento pelas duas coisas. Primeiro, pela baixaria a que determinados segmentos considerados "evangélicos" pela mídia chegou para encher templos. Segundo, pela aparente incapacidade de uma parte das igrejas históricas de se comunicarem de maneira mais relevante com a atual geração jovem e recebê-la em suas comunidades, sem jamais comprometer ou diluir a boa doutrina e prática do Evangelho.
    Reverendo Augustus Nicodemos em “ O Tempora o Mores”

    OS INIMIGOS DA IGREJA

    18 Agosto 2009

    O mundo cristão está dividido em dois grupos: os amigos e os inimigos da Igreja. Os amigos são aqueles que estão sempre prontos a servir, estão sempre prontos a evangelizar, estão sempre dispostos a colaborar com os trabalhos da Igreja e, principalmente, ajudam, antes de criticar.
    Por sua vez, os inimigos são aqueles que nunca estão prontos para servir; antes querem ser servido. Nunca evangelizam ou testemunha de sua fé nem tem tempo para as atividades da igreja e, principalmente, criticam ao invés de ajudar.
    Jesus disse que veio para nos dar vida plena. Só os amigos da Igreja desfrutam esta vida plena, porque se tornam amigos de Jesus – Jo 15.15.
    Os inimigos da Igreja são aqueles que, mesmo sendo cristãos, mesmo fazendo parte do rol de membros de uma igreja local, se deixam dominar por uma ou mais das seguintes situações:

    1- Ser influenciado pelos objetivos de Satanás. Ele veio para tentar matar, roubar e destruir a Igreja de Cristo. Veja que até Pedro, o apóstolo, em um momento se deixou levar por esta influência e foi repreendido por Jesus – Mt 16.23.
    2- Preguiça para as coisas de Deus. A preguiça é como um câncer. Ec 10.18 diz: “Pela preguiça se enfraquece o teto, e pela frouxidão das mãos a casa têm goteiras”. Muitos membros das igrejas, por pura preguiça, estão deixando de colaborar com as atividades das mesmas.
    3- Falta de tempo – outra atitude que contribui para arruinar uma igreja local. A maioria arruma tempo para tudo, menos para ajudar nas atividades ou na freqüência aos cultos .
    4- Fofoca – Deus odeia a fofoca – Lv 19.6. O salmo 15.3 diz que só entra na presença de Deus aquele que “não fala mal dos outros, não prejudica os seus amigos e não espalha boatos a respeito dos vizinhos”.
    Eu poderia listar mais coisas, mas fico por aqui. Que você, leitor, medite a amplie a lista, com o único objetivo de se cuidar para não se tornar um inimigo da Igreja de Cristo.
    Anônimo