ENTREVISTA COM BRYAN CHAPELL

15 Maio 2010

Uma entrevista com Bryan Chappel, autor do excelente livro “Pregação Cristocêntrica”, lançado no Brasil pela Editora Cultura Cristã.

 

Você poderia nos dar uma definição do que é pregação bíblica?

Dizer o que Deus diz de tal maneira que o significado de uma passagem bíblica seja a mensagem do sermão.

Quem é modelo de pregação bíblica para você?

David Calhoun, T. Stanley Soltau, Robert G. Rayburn.

Como você se deu conta de que Deus o estava chamando para ser um pregador?

Eu comecei a pastorear uma igreja nos fins-de-semana, enquanto estava no seminário, e foi aí que descobri um chamado que me capacitou a servir ao meu Senhor e expressar meus dons e interesses de uma maneira que amo.

O que você pensa sobre a preocupação atual com a pregação “histórico-redentiva”?

Penso que a pregação histórico-redentiva é um corretivo necessário ao moralismo ou intelectualismo que resultam da pregação que tem somente a perspectiva de “o que eu posso dizer para as pessoas fazerem com base nesta passagem” ou “o que eu posso contar às pessoas que elas deveriam saber com relação a esta passagem.” A pregação redentiva, pelo contrário, leva a verdade à luta e dá ao povo de Deus esperança com base em sua provisão, ao invés da conduta ou sabedoria deles. A pregação histórico-redentiva é distorcida quando abusada para apoiar antinomismo ou quando é entendida erroneamente como um debate sobre metáforas ou métodos hermenêuticos. A pregação redentiva corretamente entendida e aplicada lembra ao povo de Cristo que aparte dele eles não podem fazer nada, mas que por meio dele eles podem todas as coisas em amorosa resposta à sua graça sempre presente e biblicamente difundida.

Quem consegue pregar a Cristo em toda a Escritura domina a forma do sermão?

Pregar a Cristo em toda a Bíblia não requer um salto acrobático ao Gólgota em cada sermão, mas, ao invés disto, é necessário ao pregador localizar o texto-base em relação à pessoa e obra de Cristo. Não há nenhum modelo-chave para essa tarefa, mas, ao invés disto, um esforço consistente deve ser feito para se ter certeza de aqueles princípios da graça que o Espírito Santo pretendeu revelar se tornaram evidentes de uma maneira apropriada para o texto. Deus sempre será o herói, a graça sempre é a motivação e a capacitação, sempre há uma preparação para Cristo, ou uma provisão dele, ou ele está predito, ou refletido. Ainda ssim, há mil maneiras de expor esta verdade que são mais bem governadas pela estrutura e contexto do texto. Um auxílio útil é identificar qual é a condição caída requereu que aquele texto fosse escrito como um prelúdio para mostrar a solução divina que Deus proveu no contexto do texto.

Há algum livro sobre pregação, ou talvez um livro-texto sobre homilética, que continue representando uma grande obra para você?

Sola Scriptura de Sidney Greidanus.

Sua prática com respeito à pregação tem sido a exposição consecutiva, textual ou tópica?

Eu pratico a pregação expositiva consecutiva quando estou num local fixo. Mesmo se eu estiver visitando um lugar meus sermões são expositivos, mas não necessariamente consecutivos.

Há algum sermão que você tenha ouvido, ou uma série de sermões, que continue a impressioná-lo?

As mensagens de David Calhoun que tratam das Escrituras como nossos hinos.

Que confissões, se alguma, o pregador moderno tem de fazer para falar à pós-modernidade?

Há sempre a necessidade de exegese para os ouvintes assim como para o texto. Os ouvintes modernos tendem a ter pouca base bíblica e doutrinária. Eles geralmente necessitam de uma exposição e aplicação claras, de ilustrações atrativas. Grandes pregações sempre tiveram estes componentes, mas os tempos modernos tendem a requerer que nós sejamos mais eficientes nisto e tenhamos menos para dispensar em termos da base dos nossos ouvintes na igreja. As narrativas são bastante apreciadas em nossas culturas pós-modernas. A pregação cristocêntrica que mostra como nosso Senhor sempre vem para libertar é um modo saudável de lidar com esta apreciação. Atualmente também haverá pouca tolerância para crítica agressiva a outros, ridicularização de etnias étnicas, insensibilidade de gênero, ou arrogância doutrinária.

Qual geralmente é a duração dos seus sermões? Isto mudou com os anos?

35 minutos. Não, mas eu me preocupo mais com isso.

Você poderia descrever rapidamente os principais elementos que você usa para preparar um sermão?

1. Orar

2. Ler e reler o texto

3. Esboçar o texto para análise exegética

4. Traduzir as frases chaves ou significantes

5. Estudar a passagem em comentários

6. Determinar a principal aplicação das idéias e preocupações

7. Esboçar a mensagem em termos de prioridades homiléticas/comunicativas

8. Conectar ilustrações e aplicações

9. Escrever o sermão

10. Converter o manuscrito para um esboço de pregação

11. Praticar

12. Orar

13. Pregar

Fonte: Monergismo.

Por: Derek Thomas

Assista o Vídeo:

AS CRÍTICAS AO POSITIVISMO

01 Maio 2010

PositivismoO positivismo faz uma proposta totalmente humanística à existência humana afastando de maneira radical a teologia como também a metafísica. Propõe a existência humana valores completamente humanísticos. Toma como base o mundo físico e material. Defende a idéia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro desconsiderando outras formas de conhecimento humano. O progresso humano depende unicamente dos avanços científicos. É um ramo filosófico que está limitado ao método cientifico empírico, como citado acima todas as outras  proposições, como por exemplo a metafísica, estão destituídas de significação.

O objetivo do positivismo era reformular a filosofia tentando retirar da mesma todos os elementos metafísicos. Os homens haviam perdido a fé no conhecimento através da intuição, do misticismo, da razão pura e queriam tomar medidas positivas. No psicologismo se busca o fato das coisas, através do modo empírico – da realidade em si.

Parece que Husserl, em detrimento ao pensamento positivista, pregava que as essências dos significados das coisas era fruto comum de pensamentos de mentes diferentes. É importante ressaltar que para Husserl a mente humana é capaz de intuir diretamente a essência das coisas. Isto não significa psicologismo, pois este é uma abordagem voltada totalmente para introspecção, algo subjetivo.

Para Husserl, o risco positivista que incorrem as ciências tem uma dupla conseqüência. Por um lado, a atenção do cientista é polarizada sobre o estudo do fato, por outro lado, este privilégio acordado à pura observação dos fatos leva à cegueira da instância subjetiva ela mesma (...). A falta de reflexividade na pesquisa científica, de atenção dada ao “enigma da subjetividade” que nela opera, leva ao objetivismo, sinônimo de positivismo, segundo Husserl (MC CASTRO, 2007). As suas próprias formulações mostram que Husserl foi um dos principais filósofos que tentou romper com o positivismo.

Pr. Márcio Trindade