INSÔNIA – UM MAL DESTE TEMPO

31 Outubro 2009


Um dos problemas que têm arrasado o homem contemporâneo, é sem dúvida a insônia.
Dizem os entendidos que a insônia se apresenta de três maneiras diferentes: a primeira é conhecida como a insônia do começo da noite, caracterizada pela dificuldade de adormecer.
Outra seria a da descontinuidade de adormecer. As pessoas acometidas dessa modalidade de insônia acordam muitas vezes durante a noite e levantam cansadas.
Uma terceira forma é a da insônia da madrugada, e que consiste no despertar muito cedo, antes de clarear o dia, independentemente da hora em que se deite. Não conseguindo mais dormir as pessoas ficam desanimadas e stressadas.
Vamos tentar descrever na prática, o comportamento de alguém com um estado típico de insônia: um indivíduo esta. há uma hora, deitado na posição predileta para dormir, e o sono não vem. As costas enrijecidas são a evidência da tensão sofrida pelos afazeres rotineiros. A esmo, a sua mente viaja veloz em redor dos problemas enfrentados naquele dia, ou das preocupações quanto ao dia de amanhã. Tudo lhe parece desconfortável, desde o travesseiro até os lençóis amarrotados pelo seu revolvimento na cama. Com os olhos esbugalhados, presta atenção a ruídos que normalmente não escutaria. Horas depois acaba por adormecer, ou por um sono instantâneo, ou pelo efeito de pílulas. Ao despertar, já começa a se preocupar com a possibilidade da repetição da insônia da noite seguinte. Passa o dia fatigado e irritado.
Os motivos da insônia são muitos, como, por exemplo, residir próximo a aeroportos ou outros locais barulhentos, fumar maços de cigarros diariamente, a dependência do álcool ou de soníferos, o consumo abusivo de café, etc.
Mas, há quem não fume, não beba, não tome pílulas para dormir, não more em locais ruidosos, nem beba café e, apesar disso, durma mal.
Lamentavelmente, milhões sofrem a ressaca das preocupações, da perplexidade, do stress mental. São os verdadeiros “escravos da complexidade e da sofisticação da vida moderna”, como afirma J.E. Haggai. A insônia é, dentre outras coisas, a conseqüência do fracasso comercial, dos maus negócios na industria, enfim, dos problemas próprios da vida.
O homem moderno precisa de resposta em termos facilmente compreensíveis. A Palavra de Deus oferece ajuda. Além, naturalmente, da necessidade de melhor organização da lida diária, dos exercícios físicos, de evitar soníferos, de acompanhamento médico quando for, patológica, é necessário buscar a Deus.
Aconselhou Jesus a que buscássemos, primeiro, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as demais coisas seriam acrescentadas.
Cristo oferece a sua paz, que excede todo o entendimento. Paz, tranqüilidade, harmonia, equilíbrio, segurança, felicidade. O que o homem precisa mesmo, é aprender a colocar os problemas do dia a dia nas mãos dEle.
Paz assim, que ninguém pode dar e nem tomar, só se obtém voltando-se para Cristo, entregando-lhe o “leme do barco da experiência da vida”. Descurar de Deus é atirar-se às excitações do sucesso, das paixões, das ambições, sem tranqüilidade interior, contudo.


Vida sem Cristo e vida sem paz, é pesadelo. Persistirá a insônia.
Pastor Eli Fernandes de Oliveira

PLANOS NA CONTRA MÃO DA VONTADE DE DEUS

Os nossos planos podem coincidir com os planos de Deus somente se mantivermos firme o objetivo de buscar a sua glória. Uma vez assentado em nossas mentes que Deus faz tudo para sua própria glória, será possível avaliar melhor nossos planos e projetos. "Quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus" (1 Co 10.31), mostra a finalidade que deve governar a vida. Esta ordenança bíblica somente pode refletir a motivação central do coração de Deus. A demonstração de sua grandeza, seus atributos perfeitos e domínio sobre a vontade de pessoas criadas em sua imagem é a finalidade da criação e da redenção.
Os planos humanos procuram a felicidade e a realização por meio do aumento de patrimônio e poder. Os homens planejam e trabalham assiduamente com a intenção de ganhar mais dinheiro, adquirir mais bens, gozar de mais conforto e garantir a segurança. Qual é o indivíduo que não quer casar com uma moça linda e apaixonante, ter dois filhos bem comportados com inteligência superior? Querem ser importantes, influentes, famosos e saudáveis. Tudo isto, e muito mais, motiva o coração humano a lutar e planejar. Homens querem dominar para que possam exercer sua própria vontade. Para alcançar conquistas tão importantes são necessários sonhos e planos. Procurar satisfação pessoal por meio de sucesso e vitórias sobre problemas e obstáculos é universal.
Pascal escreveu, "Todas as pessoas buscam a felicidade. Não há exceção para isso. Sejam quais forem os meios diferentes que empreguem, todos objetivam esse alvo... Esse é o motivo de cada ação de todo ser humano, mesmo dos que se enforcam" (Pensamento # 425 citando em J. Piper, Em Busca de Deus, Shedd Publicações).
Buscar quer dizer planejar. A razão pela qual existe uma imensurável quantidade de infelicidade no mundo se explica pela busca no lugar errado e por meios traiçoeiros. Aqueles que traçam planos para serem mais felizes, mas não alinham esses planos com o crivo da revelação que Deus nos outorgou na Bíblia, fatalmente chegarão, mais cedo ou mais tarde, na infelicidade. Se planejarmos com a finalidade de satisfazer nosso egoísmo, ficaremos decepcionados.
Todos os planos de Deus refletem sua justiça e amor. Qualquer plano nosso que passa de lado os interesses de Deus não pode ser bem-sucedido.
Jesus Cristo veio para servir, não ser servido (Mc 10.45). Planejar servir aos outros, especialmente às pessoas menos favorecidas na vida, coincide com o plano de Deus para os seus filhos. "Embora sendo Deus não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se, mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo (no grego, "escravo")..." (Fp 2.6,7 NVI). Escravos existem somente para fazer a vontade de seu dono.
Como foi diferente o pensamento do empresário que anunciou numa palestra para um auditório repleto de pessoas ambiciosas. "Já ganhei suficiente dinheiro para nunca mais ter que fazer alguma coisa que não gosto de fazer". Jesus contou a história dum bem-sucedido fazendeiro que, tendo armazenado tantos bens que disse para si mesmo, "Descanse, coma, beba e alegre-se". Planejou longos anos de felicidade na contramão do plano de Deus. Este lhe disse, "Insensato"! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida" (Lc 12.19,20NVI).
Planejar a vida sem considerar a vontade de Deus é pura tolice. Todo cristão comprometido sabe isto na teoria, mas na prática, muitos estão escolhendo carreiras e cônjuges sem consultar o seu Dono. Empresários estão investindo, esperando multiplicar seus bens e consequentemente sua felicidade. Pede-se a bênção do Senhor sem buscar em primeiro lugar o Reino e sua justiça. Não se deve admirar que tais planejadores caiam na infelicidade.

 

Russell Shedd

EVENTO É VENTO

29 Outubro 2009

Ao longo do tempo confundiu-se o dom pastoral com a função da gestão eclesiástica e muitos pastores acabam tendo de investir tempo nisso, pouco sobrando para o cuidado das vidas
Há poucos dias um aluno comentou que sua igreja era movida a eventos e que falou com seu pastor que evento é como vento, vem e some. Isso me acendeu uma forte preocupação e acabou dando título a este artigo.
Ao longo destas mais de três décadas de ministério tenho percebido que muitas igrejas acabam mesmo sendo movidas por eventos. Aliás, até que não é difícil gerenciar (não seria pastorear) uma igreja assim, dou a dica para você: basta fazer uma reunião antes de findar o ano com todos os líderes da igreja, elaborar um calendário repleto de atividades semana após semana. A você caberá cobrar antecipadamente ao responsável que tome providências para que a atividade programada seja cumprida. Seja rigoroso. Tire fotos, faça relatórios, coloque tudo no site da igreja e mostre que o “circo” está em movimento. Se alguém ficar doente no meio do caminho é só falar que a pessoa tem de dar um jeito e se sacrificar para o “reino” pois o show não pode parar.
Um dado curioso é que, em geral, as denominações históricas no Brasil foram organizadas por missionários norte-americanos. Vamos lembrar que uma das ideologias impulsoras da cultura norte-americana é o pragmatismo, que focaliza a ação, a utilidade. Creio que temos aqui as raízes históricas que podem ter nos induzido a reduzir o Cristianismo a atividades eclesiásticas, de modo que ser cristão significa simples e meramente trabalhar na igreja. Isso pode ter passado para as outras denominações que surgiram ao longo da história da igreja no Brasil.
Nesse sentido o pastor da igreja passa a ser gerente de calendário em vez de pastorear, cuidar do rebanho. O afeto, tão caro ao espírito do pastoreio, é substituído pelo poder, pelo comando, de modo que quando o pastor está chegando perto de alguém logo se pode pensar “Lá vem sermão (sinônimo para bronca”)!
Será preciso recuperar o lado relacional, convivencial, terapêutico, piedoso e amigo do pastoreio. Infelizmente ao longo do tempo confundiu-se o dom pastoral com a função da gestão eclesiástica e muitos pastores acabam tendo de investir tempo nisso, pouco sobrando para o cuidado das vidas e não apenas da utilidade de cada ovelha para o trabalho eclesiástico.
Igreja é muito mais do que evento, é uma comunidade terapêutica, provedora de acolhimento, de comunhão, compartilhamento, de socorro, de serviço, de testemunho, de aprendizagem, de disciplina também. É um ambiente fértil para o desenvolvimento da vida em adoração e glorificação a Deus. O resto é vento.

 

Lourenço Stelio Rega
é teologo, educador e escritor.

CRACK, TERROR E HISTÓRIA

Esta droga nasceu em Nova York – USA nos anos 80, exatamente entre os de baixa renda em seus guetos, e foi um resultado do "sem querer".
Buscavam uma simples mistura e não a invenção de uma nova droga.
O seu nome vem do barulho que causa, ou seja, o som do uso ou quebra de pedras.
Dependendo de quem a experimenta, o “crack” leva o seu usuário a uma dependência imediata ou levando algumas semanas.
Os seus efeitos são mais rápidos e mais intensos do que a cocaína, mas de efeito menor, exigindo de seu dependente algo quase constante.
O seu uso exige um cachimbo, improvisado ou não, e água bem quente.
O maior atrativo é o preço, bem mais acessivo do que as demais drogas.
Alguém chegou a dizer que o único benefício que o “crack” trouxe foi quase acabar com o uso da cocaína injetável e seus óbvios malefícios.
O resultado deste vício no usuário (não se conta aqui o efeito periférico) é hipertensão, taquicardia, acidentes cárdio-vasculares, perda absurda de neuronios, degeneração de músculos, aminésia parcial ou total, paranóias e pensamentos suicidas.
O usuário do “crack” além dos descuidos higiênicos , pode ser tornar agressivo principalmente com quem ele ama (?) e com certeza o ama, agredindo e até mesmo matando.
Mas o “crack” que pode ser fumado com maconha e tabaco (droga autorizada), tem uma certidão de nascimento, que começa a ser escrita nas selvas da Colombia, Perú, Venezuela e Bolivia; países onde o cultivo da coca é permitido.
Financeiramente, alguns destes dependem e muito da venda legal e ilegal da coca.
O “crack” começa a nascer assim: folhas da coca são misturadas com cal e um solvente, normalmente, querosene, e aí as substancias se separam.
Depois um ácido é adicionado formando os sais.
A este entra soda caustica, quando acontece uma mudança química importante vazando sólidos, que após a secagem surge a pasta de cocaína.
Nesta são adicionados éter, ácido sulfúrico, acido clorídrico e permaganato de potássio.
Após esta elaboração, surge a cocaína (outrora drogas dos ricos), chamada de pura e quase sempre de cor rosa.
Quando esta chega nas mãos de seus usuários, pode ter sofrido outras misturas, com talco, bicabornato, pó de mármore, fezes de pássaros, ou qualquer substancia branca em pó.
E o “crack” (drogas dos pobres)?
Pega-se a cocaína (não da pura), mistura-se o bicabornato e após uma intensa fervura, achamos pedras de vários tamanhos.

Tire esta pedra do seu caminho!

Vital.

DROGAS E VIOLÊNCIA

22 Outubro 2009

De acordo com a pesquisa, as drogas que podem ser adquiridas no comércio legal, como cola de sapateiro e solvente, ainda são usadas pelos jovens nas ruas. Mas o estudo mostra também que, além da maconha, o consumo de cocaína, zirrê (cigarro de maconha mesclada a cocaína) e crack aumentou na área pesquisada.
Por causa da variedade de drogas de grande impacto na dependência química, os pesquisadores perceberam que o cotidiano das ruas está mais violento.
— A rua está mais violenta até para os menores que vão para as ruas com parentes, para vender algo — disse o pesquisador Dario Sousa e Silva.
O estudo mostra que, apesar de estar nas ruas, a maioria das crianças e dos adolescentes não perdeu totalmente o contato com a família: 63% dos entrevistados visitam os parentes e 33,5% os encontram diariamente.
Segundo Dario, a referência familiar tem aspectos positivos e negativos: — A referência familiar aponta tanto para uma possibilidade de exploração pela família, quanto para o fato de que eles têm um teto — disse.
Maria Cristina Sá, que há 25 anos fundou a Pastoral do Menor, diz que o resultado da pesquisa vai ajudar as ONGs a enfrentarem de uma forma diferente a questão dos jovens que vivem nas ruas: — Há um olhar distorcido sobre esse jovem. Por isso, esse estudo foi elaborado por educadores que trabalham com eles.
Não é com choques de truculência que vamos mudar a situação.
É com choque de educação — disse Maria Cristina.
De acordo com Dario, ações repressivas do poder público têm gerado uma mudança no cotidiano das ruas. Adultos, crianças e adolescentes têm maior mobilidade e é comum vê-los transportando seus pertences em carrinhos. Ao menor sinal de agentes públicos, eles se deslocam: — As ações não reduzem o número de pessoas nas ruas, mas aumenta sua circulação.
Parte dos jovens está nas ruas há mais de dez anos O pesquisador acrescenta que, além do essencial direito à vida, todo jovem tem o direito de desejar. Segundo ele, o estudo mostra que os adolescentes têm a intenção de trocar a rotina das ruas por condições mais dignas.
De acordo com a pesquisa, cerca de 30% dos entrevistados estão nas ruas há quatro anos ou mais. Mas há jovens (4%) há mais de dez anos vivendo nesse ambiente. Segundo 30,6% dos consultados, o motivo para estar na rua é ganhar dinheiro.
Mas 20,2% alegaram "revolta", embora não tenham especificado qual o tipo. Maus-tratos foram a resposta de 16,8% dos jovens.
Segundo o estudo, para sobreviver, 45,7% dos entrevistados disseram que pedem dinheiro; 38,2% trabalham e 13,9% admitiram que roubam

Autor: Editoria Rio
OBID Fonte: O Globo

A FAMÍLIA EM PRIMEIRO LUGAR

18 Outubro 2009


O administrador Stephen Kanitz, colunista da revista Veja, escreveu em edição de fevereiro de 2002 mais ou menos o seguinte:
Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida. Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu.
O encontro foi na própria empresa. Ele não tinha tempo para almoçar com a família em casa, nem com os amigos num restaurante. Os amigos tinham de ir até ele.
Seus olhos estavam estranhos. Achei até que vi uma lágrima no olho esquerdo. "Bobagem minha", pensei. Homens não choram, especialmente na frente dos outros.
Mas, durante a sobremesa, ele começou a chorar copiosamente. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito de errado. Supus que ele tivesse se lembrado dos impostos pagos no dia.
"Minha filha vai se casar amanhã", disse sem jeito, "e só agora a ficha caiu. Percebo que mal a conheci.
Conheço tudo sobre meu negócio, mal conheço minha própria filha. Dediquei todo o tempo à minha empresa e me esqueci de me dedicar à família."
Voltei para casa arrasado. Por meses, me lembrava dessa cena e sonhava com ela. Prometi a mim mesmo e a minha esposa que nunca aceitaria seguir uma carreira assim.
Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição tão aceita por aí. Normalmente, a grande discussão é como conciliar família e trabalho. Será que dá?
O cinema americano vive mostrando o clichê do executivo atarefado que não consegue chegar a tempo para a peça de teatro da filha ou ao campeonato mirim de seu filho.
Ele se atrasou justamente porque tentou conciliar trabalho e família. Só que surgiu um imprevisto de última hora, e a cena termina com o pai contando uma mentira ou dando uma desculpa esfarrapada.
Se tivesse colocado a família em primeiro lugar, esse executivo teria chegado a tempo. Teria levado pessoalmente a criança ao evento.
Teria dado a ela o suporte psicológico necessário nos momentos de angústia que antecedem um teatro ou um jogo.
A questão é justamente essa. Se você, como eu e a grande maioria das pessoas, tem de conciliar família com amigos, trabalho, carreira ou política, é imprescindível determinar quem você coloca em primeiro lugar.
Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. Implica menos dinheiro, fama e projeção social.
Muitos de seus amigos poderão ficar ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena:
"Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar."
Qual o verdadeiro sucesso de ter um filho drogado por falta de atenção, carinho e tempo para ouvi-lo no dia-a-dia?
De que adianta ser um executivo bem-sucedido e depois chorar durante a sobremesa porque não conheceu sequer a própria filha?
O lar constitui o cadinho redentor das almas. Merece nosso investimento em recursos de afeto, compreensão e boa vontade, a fim de dilatar os laços da estima.
Os que compõem o lar são os marcos vivos das primeiras grandes responsabilidades do Espírito encarnado.
Assim, acima de todas as contingências de cada dia, compete-nos ser o cônjuge generoso e o melhor pai, o filho dedicado e o companheiro benevolente.
Afinal, na família consangüínea, temos o teste permanente de nossas relações com toda a Humanidade.
Anônimo

MINISTÉRIO COM ALEGRIA E NÃO COM GEMIDOS

17 Outubro 2009

Em nossa cultura batista concebemos os pastores como aqueles servos de Deus preparados para toda e qualquer situação, sempre prontos para atender as demandas de sua congregação.
Julio Zabatiero, professor da Faculdade de Teologia de Londrina (PR), afirma: “Se alguma vez foi simples descrever o ministério pastoral, hoje já não o é. Que faz um pastor? Ele prega, ensina, treina líderes, transforma a Igreja, ora, evangeliza, administra, visita, discipula, motiva, disciplina, dirige o louvor, aconselha, batiza, ministra a Ceia, arrecada, impetra a bênção, redige o boletim, governa, doutrina, quebra paradigmas, faz teologia, faz missões, dá testemunho excepcional de vida pessoal, familiar, financeira, prega em aniversários, casamentos e funerais – hiperinflação do ministério pastoral!” A essa afirmação, eu acrescentaria: pastor, também, é aquele que precisa ter saúde de ferro, sem o direito de adoecer e, conseqüentemente, afastar-se de suas atividades pastorais.
O pastor, de certa forma, incentiva a permanência dessas expectativas porque aprende desde cedo que “nunca deve dizer NÃO às suas ovelhas” e “nunca deve frustrar a sua igreja...”.
Alguém escreveu no site da Sepal o seguinte: “As ovelhas adoecem. O pastor não! As ovelhas se irritam. O pastor não. As ovelhas têm problemas. O pastor não. O dinheiro das ovelhas é sempre curto. O do pastor tem durabilidade eterna. As ovelhas podem chegar atrasadas ao culto. O pastor não. As ovelhas podem tirar férias da Igreja. O pastor não. As ovelhas decidem boicotar o trabalho da Igreja. O pastor é obrigado a encarar os visitantes tentando justificar os bancos vazios numa reunião especial. Ser pastor é divertido. Dolorido. As ovelhas brigam entre si e se afastam da Igreja. O pastor vai procurá-las e ouve os desaforos que deviam ser dito a outros. E ainda ora suplicando que Deus abençoe a ovelha transviada e revoltada”.
Não é de se espantar, portanto, que vemos um grande número de pastores enfermos. Pastores estão acometidos de enfermidades físicas e emocionais, com crises familiares, ministeriais e espirituais. Enfermos e em crise, sim!
Em outubro de 2007, após participar do Encontro Anual dos Pastores Batistas de Minas Gerais, fiquei profundamente preocupado com o expressivo número de pastores doentes e sem nenhuma perspectiva de tratamento de suas enfermidades.
Somente após aquele Encontro é que me dei conta de que eu estava enfermo também. Eu e minha querida esposa estávamos cansados, estressados, após 31 anos de intenso trabalho ministerial, e nem nos dávamos conta que os sintomas físicos que sentíamos eram conseqüências do estresse.
Tomamos a decisão de nos afastarmos para tratamento de saúde. A Igreja Batista do Barro Preto, a partir de sua liderança, foi compreensiva e agiu com graça, misericórdia, generosidade e com profundo amor cristão: deu-nos uma licença remunerada, sem tempo determinado, para que cuidássemos da nossa saúde. Tivemos todo o respaldo necessário, inclusive financeiro, e nos afastamos por três meses.
Somente um irmão, inocentemente, perguntou: “Pastores adoecem, também?” Pastores adoecem, sim!
Infelizmente, temos observado que são poucas as igrejas que compreendem as limitações e as fragilidades dos seus pastores e, conseqüentemente, cuidam deles. As lideranças de nossas igrejas precisam entender que a atividade pastoral é uma das mais estressantes que existe. Os pastores se envolvem com a igreja quase 24 horas por dia, física, emocional e espiritualmente. Quando saímos de férias, levamos a igreja conosco. Não temos horário para o atendimento de telefonemas, pois até nas madrugadas somos acionados. Envolvemo-nos emocionalmente com o nascimento dos filhos, o casamento dos jovens e a morte das nossas amadas ovelhas. Participamos de suas alegrias e choramos as suas perdas.
Diria alguém: “Isto faz parte do ministério!”
Talvez seja verdade, mas é verdade também que os pastores são de carne e osso, limitados, frágeis e sujeitos a enfermidades psicossomáticas. Quantas vezes desenvolvemos sentimentos que vão danificando as nossas emoções, como, por exemplo, a amargura! Quantos pastores e suas respectivas famílias experimentando amarguras em conseqüência das lides ministeriais!
São problemas sérios que invadem as nossas vidas, destroem a saúde emocional e os relacionamentos e, assim, enfraquecem a nossa vida espiritual e ministerial.
As igrejas precisam resgatar a exortação bíblica: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros” (Hb13.17, grifo nosso).
Ministério com alegria e não com gemidos!
Algo precisa ser feito com urgência para a preservação da saúde dos pastores e de suas famílias, para que continuem no exercício do ministério como instrumentos para a edificação de vidas e para a glória de Deus.
Queremos incentivar os pastores que cuidam do rebanho do Senhor a cuidarem-se, também.
Queremos conclamar as igrejas a cuidarem dos seus pastores, dando-lhes o repouso necessário e as condições para tratamento da saúde.
Queremos, finalmente, registrar a nossa profunda gratidão à Igreja Batista do Barro Preto pelo carinho demonstrado aos seus pastores e demais ministros, ao longo dos anos. Obrigado, igreja!

Escrito por ARLÉCIO FRANCO COSTA - Pastor da IB do Barro Preto, Belo Horizonte (MG)

AMOR E ÓDIO

16 Outubro 2009

“Vós que amais o Senhor, detestai o mal, pois Ele guarda a alma dos Seus santos, e os livra das mãos dos ímpios” Salmo 97:10.

Os santos de Deus carregam consigo aquilo que é incoerente para o mundo. O caminho por onde percorrem os justos é uma vereda de loucura para os que escorregam para a destruição eterna. O ecumenismo travestido de evangélico tem disseminado a idéia de que podemos amar a Deus e ao mesmo tempo amar o mal. Como poderá o bem andar de mãos dadas com o mal? Como combinar uma união entre a luz e as trevas? Andarão dois juntos se não houver entre eles acordo? É óbvio que não! O fato é que os verdadeiros crentes são conhecidos à luz desta ordenança vista neste salmo lido: “Vós que amais o Senhor, detestai o mal...” Foi assim com todos os verdadeiros e genuínos crentes em todos os tempos, e ainda é e será enquanto o povo de Deus estiver peregrinando neste império regido pelo anjo maligno.

O povo de Deus deve saber e crescer tendo esse discernimento que ao amar o Senhor automaticamente haverá de detestar o mal. O amor do povo de Deus ao seu Deus trará ao mesmo tempo um ódio contra tudo aquilo que se intitula de iniqüidade. Vale a pena examinar de perto esse precioso verso.

Primeiro, o ensino é direcionado aos que amam ao Senhor. Amamos a Ele porque Ele nos amou primeiro e encravou Seu grande amor em nossos corações (Rm.5:5). Provamos que O amamos num verdadeiro apego à Sua Palavra (1Pedro 2:2) e aprendendo aos Seus pés como verdadeiros discípulos. Provamos que O amamos porque subordinados estamos dia após dia aos Seus mandamentos e cercados de Suas promessas fiéis e eternas.

Em segundo lugar, aos que carregam em seus corações esse amor ao seu Deus, terá prazer em obedecê-Lo detestando tudo aquilo que Ele odeia; tudo o que é contra Sua santa lei. A influência do povo de Deus neste mundo é vista nessa atitude de odiar aquilo que para o mundo significa paixão e idolatria. O palco mundano é marcado pela sua impiedade e injustiça. O mundo sofre cada dia o castigo oriundo de suas transgressões e imundícies. O zelo da santidade faz com que toda imundície da carne seja julgada e condenada.

Crentes, é urgente! Glorifiquemos o Deus que amamos com uma disposição no espírito de erguer nossas vidas em santidade. Rompamos aliança com qualquer obra da carne e com este mundo maligno. O Nome do Senhor está sendo escarnecido e Sua Palavra tem sido vilipendiada.

Enviado por Pr. Davi Sena

A IRA DE DEUS

14 Outubro 2009

“Porque a Ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detém a verdade pela injustiça”. Romanos 1:18.
O termo grego para “ira” é a palavra “orguê”. Esta palavra difere da outra que é normalmente traduzida “cólera”. Esta trata da Ira em execução e podemos vê-la normalmente no livro de Apocalipse. A outra refere aquela ira sendo acumulada dia após dia.
O mundo religioso moderno procura encobrir a realidade da Ira de Deus. A preocupação hoje é falar do amor de Deus porque acham que é acerca deste atributo que os homens precisam ouvir. Mas a Bíblia trata tanto da Ira de Deus como do Amor de Deus. Deus não trancou o conhecimento da Sua Ira num cofre, não! O conhecimento da Sua Ira é tão revelado na Sua Palavra quanto o Seu Amor. O amor de Deus é Santo e a Sua Ira também é Santa. Deus é Deus nos Seus atos de amor, mas também Ele é Deus ao executar Sua Justa Ira. Ele é glorificado quando envolve o pecador arrependido com Seu amor perdoador e remidor, mas Ele é também glorificado no furor da Sua Ira quando pune o impenitente.
Em Romanos 1:18 Paulo afirma que “a Ira de Deus se revela do céu”. O verbo está no tempo presente. Não é dito que a Ira vai ser revelada, mas sim que ela está sendo revelada a todo instante. É claro que o bombardear dessa Poderosa Ira será mundialmente aterrorizante por ocasião daquele período da Grande Tribulação. Mas agora o Senhor opera Sua Ira neste mundo. Ele reina absoluta e soberanamente e tem consigo tudo ao Seu dispor para execução de Seu Justo juízo contra a impiedade e perversidade dos homens neste mundo.
Os homens precisam saber que nada está acontecendo por acaso e que o próprio Deus toma para Si mesmo a responsabilidade do que ocorrem de mortes, epidemias, tragédias, inundações, guerras, fome, terrores, etc. Os homens surdos e loucos atribuem essas coisas à natureza. O Senhor está revelando a Sua Ira, assim como está revelando Seu amor em salvar perdidos.
O povo de Deus precisa conhecer os atos de justiça do seu Deus a fim de voltar para Ele em oração e santificação. À pregação vigorosa precisa ser acrescentada esta grande e poderosa verdade a fim de que vejamos o temor do Senhor ocorrendo no meio dos homens.
Enviado por Pr. Sena

A TRISTE ESCRAVIDÃO DO PECADO

“Não é isso que te dissemos no Egito: deixa-nos, para que sirvamos os egípcios? Pois melhor nos fora servir aos egípcios do que morrermos no deserto” Êxodo 14:12.

Não se pode esperar da natureza humana algo melhor. Servir ao pecado é a coisa mais saborosa para a mente carnal. Os quatrocentos e trinta anos de dura escravidão no Egito sob a mão cruel de Faraó, em nada conscientizaram o povo de Israel da grandeza, do amor e do poder de seu Deus. Não importava as chicotadas, as mortes de suas crianças, o ser um povo sem uma pátria própria, sem religião própria, sem liberdade, etc; em nada era motivo de regozijo trilhar sob o Poderoso Braço de Jeová no caminho certo para Canaã, sua pátria.

A natureza pecaminosa do homem é assim, prefere ficar no vale do pecado, servindo ao pecado, do que servir a Deus. A natureza maligna do pecador não pode suportar a liderança de Deus, nem confiar nas providências de Deus. Se for puxada com uma corda para a subida rumo ao céu, logo a corda romperá e ela rolará de volta ao lugar que tanto ama. O mundo é seu lugar aprazível e suas recompensas passageiras tanto lhe atraem.

Por que a escravidão do pecado? Primeiro, porque há uma falsa impressão de liberdade no pecado. Seu coração enganoso e enganado lhe joga confetes e lhe assegura que ele tem direitos de viver do jeito que gosta e que esta vida aqui é a melhor. Segundo, porque o pecado lhe assegura uma normalidade no viver, que há plena segurança no caminho por onde está indo, que há proteção e que nada há de censura. Terceiro, porque há um sabor de prazer no pecado, e o campo do prazer é vastíssimo. O horizonte do viver mundano é lindo e apresenta muitas doçuras de promessas agradáveis para um viver melhor nesta vida. Quarto, porque o próprio pecado fornece um aparato religioso no coração sossegado do pecador. Há uma paz do pecado e com o pecado e seu deus aparece constantemente para lhe sussurrar no íntimo que tudo está bem e que haverá um final feliz na jornada. Quinto, porque não há qualquer dispositivo no pecador escravo do pecado que lhe faça interessar por Deus e pelos caminhos de Deus. O caminho do Senhor é estreito e exige a disciplina de ser guiado em santidade e provação que culminará na felicidade eternal. É loucura para o pobre escravo conceber uma vida melhor do que esta vida mundana. Seu céu é o paraíso mundano e seu deus terreno é o seu braço forte.

Somente o poder absoluto da Graça salvadora para arrancar o pecador das prisões do pecado. Quando os olhos da alma são abertos o pecador pode se inteirar de sua tão drástica situação. Clamará e invocará o Nome do Senhor para ser salvo. O Filho de Deus se manifestou para desfazer as obras do diabo.

Enviado por Pr. Sena