DROGAS – O ESTREITO CAMINHO DE VOLTA A INFÂNCIA

30 Julho 2009

O rosto é de uma criança, mas a história de vida amedronta até adultos mais vividos. O corpo frágil guiado por um olhar triste e incerto abriga um trauma que rasga a alma de quem vê e ouve Mário(*), de 11 anos. Aos 5, a própria mãe o levava à Pedreira Prado Lopes, aglomerado da Região Nordeste de Belo Horizonte, para comprar tabletes de maconha que seriam vendidos no varejo. Passados não mais que dois anos, ele dava seu primeiro trago na erva, que abriu as portas para que entrasse de vez no submundo das drogas, vendendo substâncias ilegais por conta própria. Na companhia de meninos como ele, em vez de jogar futebol, "fumava maconha", como recorda. Hoje, com o pai preso e a mãe morta, está protegido em um abrigo e, ao contar sua história, garante que ultimamente só fuma "Derby azul". O menino franzino e sua história são apenas a ponta visível de uma realidade que avança tão assustadora quanto silenciosamente em Minas e no Brasil, onde cada vez mais cedo crianças se tornam dependentes e vendem a infância em troca de miseráveis porções de pedras, cola, erva, pó...
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não prevê tratamento para dependência química e casas de internação compulsória para meninos e meninas de até 11 anos. Na falta de política pública específica para tratar dessa parcela de pequenos viciados, a única saída atualmente é encaminhá-los a profissionais que trabalham em abrigos e que são vistos como verdadeiros "anjos" pela pequena parcela de crianças que tem a sorte de chegar a esse destino antes de morrer à bala ou de overdose. Psicólogos, assistentes sociais, filósofos ou voluntários representam, na maioria das vezes, o carinho e a ajuda que esses meninos nunca conheceram. Às vezes tornam-se mais: a referência mais próxima que eles têm de família e lar. Apesar da realidade dura do processo de recuperação, talvez more aí a esperança para que crianças tão marcadas pela dor cheguem à adolescência e à fase adulta com menos cicatrizes.
Até bater às portas de um abrigo, porém, eles formam uma legião de meninas e meninos com aspecto cadavérico, olhos avermelhados e pele ressecada, que se alimentam do cheiro embriagante do tíner ou da fumaça destruidora do crack. Uma multidão que se agiganta e mete medo em quem anda pelas ruas da capital e até do interior.
Levantamento da Subsecretaria de Políticas Antidrogas do governo de Minas revela que em 2008 20,4% dos dependentes químicos atendidos em instituições estaduais e conveniadas afirmavam ter tido o primeiro contato com drogas antes dos 11 anos. Como se o quadro não fosse preocupante o suficiente, o acompanhamento da estatística revela que esse número deu um salto desde 2004, quando o percentual era de 8%. Dados mais alarmantes mostram ainda que a quantidade de crianças à procura de ajuda aumentou 75% desde o ano passado, se for computado o primeiro semestre de 2009.
METAMORFOSE
A faixa etária do pequeno Mário é a que mais preocupa, exatamente pela falta de um serviço específico voltado para histórias como a dele. Desconfiado, o menino entra no escritório do abrigo onde mora, para conversar com a equipe do Estado de Minas. Senta-se no sofá e é convidado a falar da escola e das brincadeiras de que mais gosta. "Adoro matemática e português", diz. O entusiasmo é subitamente cortado pelas lágrimas que, por alguns segundos, brotam nos olhos do pequeno, que começa a chorar. A interrupção é breve. Como um homem adulto que rejeita parecer frágil, ele enxuga o rosto e firma a voz, disposto a falar da sua vida. Aos 11 anos, não tem certeza de quem é seu pai biológico, mas enumera a quantidade de padrastos que já teve.
"O pai que realmente gosto está preso por tráfico. Tive um padrasto que morreu de infarto e o último, que também era traficante, de Aids. Tenho sete irmãos. Minha mãe descobriu que também tinha Aids, mas morreu queimada em um acidente", conta. "Para meu padrasto não bater na minha mãe, ela tinha de comprar tabletes de maconha na Pedreira. Ela gostava de me levar, para não ir sozinha. Quando chegava em casa, eu ajudava a cortar a barra (de maconha prensada) e a separar em trouxinhas. Aprendi rápido." O menino lembra que, como recompensa, a mãe lhe dava R$ 2 e uma garrafinha de refrigerante.
Ao completar 7 anos, a inocência da breve infância já se fora. Aos 8, virara traficante e fumante inveterado. "Quando minha mãe morreu, fiquei com meu padrasto. Como não queria comprar maconha para seu negócio, ele me batia muito, com 50 chineladas de um chinelo grosso de borracha." Mário comprou revólver e mais drogas para revender. O lucro se convertia em maconha e em maços de "Derby azul".
Quando o padrasto morreu, o menino foi morar com o avô. "Eu aprontava muito e meu avô não deu conta. Ele me passou para minha tia, que também não deu conta. Aí, fui parar em abrigos", diz. A vida não ficou fácil, mas hoje, com a atenção que recebe dos funcionários, ele se permite sonhar e até brincar. Durante a entrevista, entre tantas histórias tristes, Mário mostrou habilidades que o deixam muito feliz e confiante: leu fluentemente uma frase e conseguiu, com muita rapidez, desvendar o segredo de um brinquedo que exige raciocínio lógico. "Quando crescer, quero ser taxista, pois vou ter meu próprio carro e dinheiro toda hora", planeja. Mas, para isso, ainda depende de um bom tempo sob as asas de seus anjos.
(*) Os nomes das crianças citadas nesta reportagem são fictícios
Legião
Segundo dados do Observatório Mineiro de Informações sobre Drogas (Omid), as portas de entrada para o vício são, em geral, a maconha, o álcool e o crack. Além das crianças, adolescentes engrossam a lista dos consumidores mais contumazes e frequentes na fila de atendimento do SOS Drogas, vinculado ao Centro de Referência em Álcool e Drogas (Cread). Um quadro que reflete o resultado de pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), segundo a qual há no Brasil 1 milhão de jovens de 6 a 17 anos com dependência química em drogas.
Autor: Ingrid Furtado
OBID Fonte: Estado de Minas

DROGAS - ISOTÔNICOS! SERÁ?

08 Julho 2009

Na semana em que a bebida Red Bull Cola foi proibida de sair da geladeira, depois que testes na Alemanha encontraram cocaína no produto, especialistas em medicina do exercício e nutricionistas chamam a atenção para os riscos de consumir energéticos, bebidas isotônicas e repositores protéicos, os dois últimos indicados na reidratação e recuperação de esforço intenso. Quando usados de forma errada, engordam e fazem mal à saúde.
Isotônicos (ou glicoeletrolíticos) são ricos em carboidratos, sódio, potássio e cloreto, entre outros elementos. Eles foram elaborados para praticantes de esportes. Em casos especiais, como pessoas com dificuldades de mastigação, podem até complementar a necessidade diária de energia, diz João Carlos Bouzas Marins, doutor em Ciências da Atividade Física pela Universidade de Granada e professor da Universidade Federal de Viçosa. De maneira geral, quem se exercita pouco não se beneficia.
"Essa bebida é indicada quando a atividade esportiva dura mais de uma hora. Nesse caso já é preciso recuperar eletrólitos. Em provas de grande resistência, como Iron Man, além de água são necessários ainda eletrólitos e carboidratos. Fora isso, beber isotônicos e energéticos não tem sentido", explica o médico Jomar Souza, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBME).
Em reidratação para treinos e provas acima de uma hora, o ideal, segundo Jomar Souza, é que o isotônico possa ser preparado, em vez de tomá-lo pronto como é o habitual. Há o pó para ser diluído na água, de acordo com a necessidade do atleta, a duração da prova e os fatores ambientais previstos para o local.
"É dispensável beber sports drinks antes do exercício. Se a dieta é equilibrada, a ingestão de 200 ml a 500 ml de água 30 a 50 minutos antes da atividade é suficiente para iniciar. A partir daí, a recomendação é beber 200 ml de água para cada 20 minutos de atividade de até uma hora. Acima disso, pode-se consumir compostos de água e eletrólitos", ensina Jomar.
Difícil é saber o que escolher entre os vários sports drinks. Além de isotônicos à base de água, sais minerais e carboidratos (de 6% a 8% de concentração); há repositores energéticos (com alta concentração de carboidratos, em torno de 90%, com vitaminas e sais minerais) e repositor protéico (com alta concentração de proteína). Outra categoria é a energética (tipo Red Bull e Burn). E a indústria criou a classificação hidrotônica, o i9 (cloreto, sódio, potássio e carboidratos). Sua propaganda diz que ele fornece energia para o dia-a-dia, estimulando o consumo freqüente, desnecessário.
"Os repositores de sais e minerais não devem ser usados diariamente por pessoas que não se exercitam. Elas têm como atingir as necessidades de sais e minerais com boa alimentação", diz Carolina Ribeiro, especializada em nutrição funcional.
Para a especialista em medicina do exercício e do esporte, e nutrologia, Flávia Pinho Teixeira, os isotônicos ingeridos após exercícios de mais de uma hora auxiliam na reposição de glicogênio muscular, essencial para a contração das fibras. "Com o objetivo de repor o glicogênio muscular e hipertrofia muscular, devemos consumir logo no final do treino algum alimento que contenha carboidratos, mas não necessariamente sport drink. Pode ser pão, suco de fruta, mel", orienta.
Pressão
Bebidas tipo Gatorade, Taeq e i9 (similar a os isotônicos, apenas tem menos cloreto de sódio) são contra-indicadas em menores de 10 anos, hipertensos não controlados, pessoas com doenças renais, inclusive cálculos, explica Flávia Pinho. "Esses produtos têm minerais, principalmente sódio, que sobrecarregam os rins, podendo elevar a pressão em hipertensos e formar cálculos renais em suscetíveis", afirma.
O coordenador de nutrição em academias, Gabriel Alvarenga, contra-indica os isotônicos para alérgicos a alguns corantes (como tartrazina), em casos de gastrite e úlcera. Em geral, essas bebidas são ácidas. Além disso, o excesso de glicose das bebidas com carboidratos retarda o esvaziamento do estômago.
"Já as estimulantes podem até dar um gás e aumentar a disposição. Porém, é preciso tomar cuidado com excessos. Isso porque, dependendo da fórmula, ocorre aumento da pressão arterial e taquicardia, tremores e mal-estar", alerta Carolina Ribeiro. Energéticos como Red Bull e Burn contêm taurina (aminoácido), carboidratos, cafeína, vitaminas do grupo B, além de conservantes e aditivos. "Em doses altas a cafeína aumenta o cortisol, o hormônio do estresse, e a ansiedade, que leva a pessoa a comer mais. O guaraná natural age de forma similar. Essas bebidas ainda têm corantes, associados à hiperatividade", acrescenta.
Sport drinks
Estudo da Universidade do Texas e do Hospital Presbiteriano de Dallas, nos Estados Unidos, publicado na revista "New England Journal of Medicine", sustenta que isotônicos não contêm quantidade suficiente de sódio para contrabalançar a perda desse mineral no exercício. Benjamin Levine, um dos autores, escreveu que esses líquidos oferecem concentração de sais menor do que aquela naturalmente encontrada no corpo. Para especialistas, não se justifica o uso na prática de exercícios., pois, segundo especialistas na área, não há nenhuma comprovação científica que confirme a melhoria da performance nas atividades.
Produtos estão sob investigação
Com a proibição da venda na Alemanha da bebida Red Bull sabor cola, na qual foram encontradas pequenas quantidades de cocaína (0,4 microgramas por litro), laboratórios e institutos de pesquisa passaram a analisar produtos tidos até agora como inofensivos. Segundo Fritz Sörgel, diretor do Instituto de Pesquisa Biomédica e Farmacêutica da Alemanha, exames semelhantes poderiam levar à proibição de venda também da Coca-Cola e bebidas energéticas.
Segundo a Convenção de Drogas da Organização das Nações Unidas (ONU), é permitido usar extrato de folhas de coca desde que os alcalóides sejam retirados. Os exames em dois laboratórios alemães revelam, porém, que a retirada total dos alcalóides é tecnicamente impossível.
"Quem consome uma fatia de 100 gramas de bolo de semente de papoula ingere 10 microgramas de morfina e codeína e seria considerado positivo se testado pela polícia sobre consumo de drogas", diz o cientista Fritz Sörgel.

Autor: Antônio Marinho
OBID Fonte: O Estado do Maranhão

ALCOOL É O GRANDE DESTRUIDOR DA FAMÍLIA

06 Julho 2009

O consumo de bebidas alcoólicas é o motor da violência doméstica no Brasil. Em 49,8% dos casos, o agressor estava embriagado no momento das surras. O dado faz parte de estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 7 mil famílias em 108 cidades do Brasil. Em Goiás, dez pesquisadores realizaram entrevistas em Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia. Na Capital, levantamento da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) revela que o município supera a média nacional, com 80% dos casos de violência doméstica relacionados ao álcool.
A maioria dos agressores é composta de homens: o sexo masculino é responsável por 89,9% dos casos de violência, cometidas principalmente contra suas próprias mulheres (35,7%). Por medo, vergonha e pela crença de que as agressões são provocadas somente porque o companheiro estava embriagado, 22,2% das vítimas preferenciais toleram as surras por mais de cinco anos.
M.R.A. suportou apanhar do marido durante sete anos, até que no último sábado (20) saiu de casa, escondida dele, depois de levar as duas filhas para vacinação. "Quando bebia ficava agressivo. Mas ele era bom para as crianças, não deixava faltar nada", disse.
Esse comportamento é padrão entre as mulheres. O psicólogo Arilton Martins Fonseca, autor do estudo, explica que a tolerância está baseada na crença de que o álcool é o verdadeiro responsável pelas agressões. "Nesses casos, as vítimas perdoam com mais facilidade. Elas apostam na mudança e isto é uma fantasia das mulheres", disse. Nos domicílios com agressores embriagados, a recorrência de violência é seis vezes maior quando o álcool está envolvido num período entre seis e dez anos em que o casal convive.
Titular da Deam, Miriam Borges presencia diariamente atitudes condescendentes deste tipo. A delegada conta que mulheres retornam para pagar fiança dos agressores: "Elas dizem que a culpa é do álcool, não do marido." Mas apesar de algumas se arrependerem depois da denúncia, as vítimas ficaram mais conscientes após a entrada em vigor da Lei Maria da Penha, em 22 de setembro de 2006. O acesso a informação reflete nas estatísticas da delegacia, que apresenta 80% dos casos de violência doméstica relacionados ao álcool.
O baixo preço das bebidas alcoólicas favorece o consumo na camada mais pobre da população. A esta facilidade de acesso soma-se a carência de atividades de lazer e diversão, falta de dinheiro e moradia em lugares pequenos. Juntos, todos esses fatores formam o contexto ideal para a tensão que precede os atos de violência nos lares.
Arilton Martins Fonseca explica que o álcool está presente em todas as classes sociais, mas é no público de baixa renda que encontra o ambiente mais propício para culminar em agressões. O estudo apresentado como dissertação de mestrado do psicólogo revelou que 49,8% dos agressores pertenciam à classe baixa. Por ser considerado um assunto privado, as agressões acabam silenciadas.
Após sete anos, vítima decide recomeçar
Depois de sete anos de seguidas violências, M.R.A., 24, tenta um recomeço. A faxineira fugiu de casa com as duas filhas no último sábado (20), depois de levar as crianças para vacinação. Na manhã de ontem, a cabeça dela ainda estava inchada devido aos socos e puxões nos cabelos que sofreu durante a última briga.
Este tipo de violência era recorrente na vida de M.R.A.: ela se casou aos 16 anos, depois que veio do Maranhão. Desde o primeiro ano de casamento, o marido tinha problemas com álcool. E a situação piorou quando ele arrumou uma amante. M.R.A. conta que a fúria do agressor não tinha motivação. Na madrugada de sábado, ele chegou em casa de madrugada, bêbado. "Gritou e me xingou, mas resolvi que não iria responder. Então, ele ficou mais agressivo e me bateu na frente das crianças."
Foi preciso interferência de uma vizinha para as agressões encerrarem. No dia seguinte, M.R.A. saiu de casa somente com a roupa do corpo e procurou abrigo em uma casa de apoio. Ela conta que não tomou a atitude antes por medo e porque não tem família em Goiânia: "Ele falava que mataria a mim e as crianças. Agora só penso em voltar a trabalhar, ter uma vida nova, comprar novamente as minhas coisas."
Autor: Editoria Cidades
OBID Fonte: Diário da Manhã

PESQUISA MOSTRA O ELO ENTRE ÁLCOOL E AGRESSÃO

03 Julho 2009

Novo estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), feito com 7 mil famílias em 108 cidades do Brasil, comprova que o álcool funciona como "combustível" da violência doméstica. Nas entrevistas feitas durante um ano, os pesquisadores identificaram que em quase metade das agressões que acontecem dentro de casa (49,8%) o autor das surras estava embriagado. A relação entre bebida alcoólica e maus-tratos já era considerada pelos especialistas, mas a evidência científica foi comprovada nacionalmente só com o ensaio científico.
"Ele tomava seus goles de pinga e virava monstro, me batia na frente de qualquer um. Não respeitou nem quando estava grávida. Tenho as marcas em todo o corpo", diz Maria, hoje com 52 anos, moradora da periferia da zona sul de São Paulo, que apanhou do marido por três décadas, sempre calada. Nunca denunciou o companheiro nem quando a rede de delegacias da mulher foi criada. "No hospital, sempre inventava uma desculpa diferente para meus machucados. Uma hora caía da escada, outra inventava que escorregava no banheiro", diz ela, que não sabe explicar por que tolerou as surras durante tanto tempo. "Primeiramente, era amor. Depois, não sei", afirma.
A tolerância à agressão também é decifrada pela associação entre violência e álcool, afirma o autor da pesquisa da Unifesp, o psicólogo Arilton Fonseca. "É muito mais fácil perdoar quando o agressor bebeu. A vítima considera o álcool como culpado, e não o violentador. Ela diz acreditar que, quando o agressor está sóbrio, a rotina de violência cessa", diz. No mesmo estudo, foi evidenciado que a violência impulsionada pela bebida alcoólica persiste, na maioria das vezes, por mais de 10 anos.
Outro aspecto revelado na pesquisa é que, apesar de mais frequentes os casos nas classes sociais mais baixas, o poder aquisitivo não imuniza o problema. Dos agressores bêbados, 33% eram de classe média e 17%, de classe alta. "A violência caseira é democrática. Mas a exposição do problema não", avalia a subsecretária nacional de enfrentamento da violência da mulher, Aparecida Gonçalves. "Mulheres de classe A e B dificilmente vão à delegacia e conseguem maquiar as marcas da violência. Viajam para esconder o olho roxo, procuram serviços particulares, que são blindados dentre os números públicos", diz.
Dependência econômica não explica submissão feminina
Os dados do Disque-Denúncia 180 – que recebe ligações sobre violência doméstica, mostram que 48,7% das vítimas agredidas não dependem economicamente do agressor, o que, para a subsecretária nacional de enfrentamento da violência da mulher, Aparecida Gonçalves, mostra que o dinheiro não é fator principal e exclusivo para que o ciclo de agressão se perpetue. Sandra, 36 anos, sempre morou em casas de classe média. "Durante o primeiro ano de casamento, meu marido nunca encostou o dedo em mim, mas depois, não consigo lembrar de um fim de semana sem apanhar", conta. Se o álcool fosse mais um componente, "a violência aumentava e ficava mais cruel", diz.
A explicação para o álcool servir como impulso para as agressões é fisiológica, explica o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Gabriel Andreuccetti. Segundo ele, a bebida chega ao cérebro, aguça o sistema nervoso simpático, rebaixa a crítica e aumenta a agressividade. A ressalva dos especialistas é que tanto violência doméstica quanto consumo de álcool são fenômenos complexos. "Deve haver maior diálogo entre os serviços de atendimento a dependentes e de violência", diz Arilton Fonseca, da Unifesp. "Hoje, um caminha isolado do outro, o que permite que violência e álcool andem juntos", afirma.
Autor: Editoria Vida e Cidadania
OBID Fonte: Gazeta do Povo

PAIS, FILHOS E O CRACK

As notícias sobre a epidemia de consumo de crack nas cidades brasileiras servem de alerta aos pais, mas também criam uma dúvida. Como e quando conversar com os filhos, pequenos ou não?
Para começar, os pais precisam ter em mente que sinceridade, informação e empatia com as crianças são essenciais. E que o trabalho de conscientização é mais importante do que se pensa. Especialistas concordam que a prevenção é (ainda mais em relação ao crack) praticamente a única forma de evitar que a droga se torne um problema mais à frente.
O major e coordenador do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) de Joinville, Giovani Fachini diz que crianças pequenas precisam receber informações de forma mais lúdica, com teatro, fantoches ou historinhas. Para Fachini, acima dos dez anos, as crianças já têm algum discernimento para papos mais sérios.
"Não se pode puxar assunto durante o almoço, porque a criança não vai dar atenção. Tem que ser um momento adequado, como a chamada de uma campanha ou uma reportagem na TV", diz.
Também há forma certa de abordar o tema. "Os pais podem perguntar o que o filho acha do assunto. Se ouvir palavras positivas ou de brincadeira, pode rebater, dizer que não é bem assim."
"Falar a verdade é essencial", diz. "Se a criança perguntar se o pai já usou drogas, ele tem que ser sincero e falar de drogas lícitas e ilícitas. Dizer algo como ‘o pai fuma, mas está tentando parar, porque sabe que faz mal’".
Outro ponto importante: o pai tem de pensar bem ao escolher um filme, livro ou site para abordar o tema com os filhos. "Tem situações em que o que era para ser crítica tem efeito contrário. Como em ‘Cidade de Deus’, em que o Zé Pequeno [traficante e assassino no filme] virou herói, ícone", diz Ney Westrupp, facilitador de um projeto de prevenção ao uso de drogas.
Para o psicólogo Álvaro de Aguiar, além de falar, é preciso dar o exemplo: "Se os pais bebem álcool ou fumam, irão falar com que moral?"
Autor: Editoria Geral
OBID Fonte: A Notícia

DROGAS - O TRAFICANTE

02 Julho 2009

É o tipo mais perigoso que existe, entre os indivíduos ligados às drogas. Através de sua atuação, o vício difunde-se, deteriorando o organismo e despersonalizando a pessoa.
Tanto o plantio, como a importação, exportação e comércio das substâncias tóxicas, nada mais são facetas do tráfico de entorpecentes.
O ponto básico de toda a degradação moral e social dos toxicômanos, nada mais é do que o próprio traficante.
Enriquecem à custa das vicissitudes alheias, exploram a miséria e vivem sobre a degradação moral daqueles que imploram a manutenção do vício. Vão ao ponto de não permitir uma recuperação de quem quer que seja, indo da perseguição até às últimas consequências.
Seu campo de ação vai desde os portões de colégios, às praças públicas, portas de prisões, etc., sempre à espreita de uma nova vítima.
O traficante é um indivíduo frio, calculista, inteligente, ardiloso e insinuante, capaz de perceber o ambiente propício para sua investida e a predisposição psíquica de sua nova vítima.
Chega, às vezes, introduzir a droga sem fazer referência a ela, simplesmente ministrando-a como tratamento para um mal-estar da vítima, provocando, de conformidade com a natureza do entorpecente, o inicío de uma dependência física e/ou psíquica.
Encontrar um traficante, é uma tarefa árdua. Conseguem um perfeito sistema de proteção, com um serviço de informação, que faz inveja a própria polícia, na maioria das vezes com a participação de menores.
O traficante dificilmente entregará a "muamba" diretamente ao dependente. Sempre age indiretamente, daí a dificuldade do flagrante e da prisão.
Geralmente o traficante deixa a droga em local pré-estabelecido, que tanto pode ser uma carrocinha de sorvete, refrigerante, ou doce, como pode ser uma reentrância em um muro de edifício, ou simplesmente um ponto determinado nas areias de uma praia.
Exterminado o traficante, estaremos nos aproximando do ponto final de uma longa e irreparável escala de tóxicos.

O Dependente- Traficante

O traficante dependente age como elemento induzidor e desinibidor perante os novatos. Uma vez efetuada a demonstração do uso (quer fumando, quer ingerindo ), exercita a sua atividade de traficar, vendendo o tóxico aos precipiantes.
Não é comum um traficante descer a dependente, ou seja, passar do comércio ao simples uso, pois a dependência, para os negociantes, é uma fraqueza suscetível de exploração.
É evidente que se um traficante dependente é preso, seu comportamento é totalmente diferente do de um dependente, pois além da atividade de fornecimento, precisa suprir-se também da droga.
Entre os traficantes, de um modo geral, incluindo o traficante dependente, existe como que um código de honra, onde fica proibida, sob pena de execução sumária, a revelação dos outros traficantes.

As Drogas e o Crime
As drogas estão ligadas ao crime em pelo menos quatro maneiras:

1. A posse não-autorizada e o tráfico de drogas são considerados crimes em quase todos os países do mundo. Só nos Estados Unidos, a polícia prende por ano cerca de um milhão de pessoas por envolvimento com drogas. Em alguns países, o sistema judicial está tão lotado de processos criminais ligados às drogas que a polícia e os tribunais simplesmente não conseguem dar vazão.
2. Visto que as drogas são muito caras, muitos usuários recorrem ao crime para financiar o vício. O viciado em cocaína, por exemplo, talvez precise de uns mil dólares semanais para sustentar o vício. Não é para menos que os arrombamentos, os assaltos e a prostituição floresçam quando as drogas fincam raízes numa comunidade.
3. Outros crimes são cometidos para facilitar o narcotráfico, um dos mais lucrativos negócios do mundo. O comércio ilícito das drogas e o crime organizado são mais ou menos interdependentes. Para garantir o fluxo fácil das drogas, os traficantes tentam corromper ou intimidar as autoridades. Alguns têm até mesmo um exército particular. Os enormes lucros dos barões da droga também criam problemas. Sua fabulosa receita poderia facilmente incriminá-los se esse dinheiro não fosse "lavado". Assim, bancos e advogados são usados para despistar a movimentação do dinheiro das drogas.
4. Os efeitos da própria droga podem levar a atividades criminosas. Familiares talvez sofram abusos por parte de usuários de drogas crônicos. Em alguns países africanos afligidos pela guerra civil, crimes horríveis têm sido cometidos por soldados adolescentes drogados.

Como e por onde a cocaína entra no Brasil?*

Uma das mais escancaradas portas de entrada de cocaína no Brasil é o município de Tabatinga (AM), fronteira terrestre com a cidade colombiana de Leticia, onde há um radar instalado, mantido e protegido por fuzileiros navais norte-americanos. Tabatinga fica numa das margens do rio Solimões. Na outra, está o Peru. Essa área é chamada de Alto Solimões.
Do Pará, no norte do país, ao Paraná, no sul, uma extensa faixa fronteiriça brasileira é território livre para o ingresso de abundantes carregamentos de droga.
A tendência é, quanto mais acima (Pará, Roraima, Amazonas, Acre, Rondônia) entra a cocaína, maior a chance de o seu destino ser o exterior. Se a porta for Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, haverá mais possibilidades de a escala final ser o mercado nacional. Isso é tendência, não a regra.
Relatório da Divisão de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal com o balanço de 1999 relaciona os veículos nos quais as drogas (fundamentalmente cocaína) provenientes do exterior foram apreendidas pelas autoridades brasileiras: aviões (70%), caminhões (15%), carros (10%) e ônibus (5%). Há transporte fluvial, pelos rios amazônicos, e marítimo, mas a polícia evita flagrar os traficantes na embarcação - deixa a droga seguir, para conhecer as conexões. Aí, então, intervém.
Uma das facilidades com que os traficantes brasileiros contam é a abundância de pistas de aviões cuja existência é omitida às autoridades aeronáuticas. No Pará, herança dos garimpos de ouro, há 3 mil anos. No estado de São Paulo, levantamento da Secretaria de Segurança contabilizou 366 "aeroportos clandestinos" em 166 cidades.
O espaço para pouso e decolagem de aeronaves carregadas de drogas, a rigor, não é necessário. As de pequeno e médio porte sobrevoam fazendas a baixa altitude e jogam os pacotes. É o padrão no interior de São Paulo.

Como e por onde a cocaína sai do Brasil?*

A cocaína segue para o exterior por via marítima e aérea. Os principais portos de saída são os de Santos e do Rio. Quantidade volumosa é embarcada, em alto-mar, em barcos que partem da região Norte, principalmente de Belém.
A mercadoria é levada às embarcações em aviões, que a jogam no oceano, de onde é recolhida. O Deprtamento de Estado dos EUA aponta os aeroportos de Guarulhos (SP), Antônio Carlos Jobim Galeão (RJ) e Porto Alegre (RS) como os mais usados para a saída de cocaína.
Nas operações robustas, a cocaína é acondicionada em contêineres, como fumo, frangos, soja, arroz, eletrônicos - tudo o que servir ao disfarce elaborado pelos traficantes.
O tráfico com "mulas", pessoas que levam consigo a mercadoria, responde pela saída de menos droga, mas envolve muita gente. A sofisticação dos truques é tamanha que roupassão engomadas com cocaína, que depois sai na lavagem. Método semelhante é usado com cabelo, pintado com loção impregnada com a droga.
O repertório é vasto. Usam-se latas, pranchas de surfe, pacotes amarrados no corpo. Até um padre com 11,5 quilos de pó sob a batina já foi flagrado. No Brasil, agem "mulas" de dezenas de nacionalidades.
Uma das variantes desse tipo de trabalho implica arriscar a vida, para receber de US$ 3 mil a US$ 5 mil por viagem: a droga viaja dentro de cápsulas ingeridas pelo passageiro. Se uma cápsula se rompe, o transportador pode morrer.
* "Texto extraído do livro Folha Explica O Narcotráfico, de autoria de Mário Magalhães. Publifolha ( www.publifolha.com.br ), 2000."

Quem é quem no tráfico

- Soldado: é o traficante que anda armado dentro da favela e protege as bocas-de-fumo. Ele mora no morro
- Boca-de-fumo: é o local dentro do morro ou da favela onde os traficantes passam a droga para os distribuidores
- Vapor: é o morador do morro que vende a droga na boca-de-fumo. Ele também faz entregas na estica
- Estica: é um posto avançado das bocas-de-fumo da favela no asfalto. Os moradores das redondezas ficam na estica e revendem a droga vinda do morro
- Formiguinha: é o microtraficante que compra pequenas quantidades e revende aos amigos nos bares, academias e escolas. Com o pequeno lucro, custeia o próprio vício
- Disque-drogas: o serviço é bancado pelo traficante autônomo, que compra nos morros boas quantidades, com maior grau de pureza. Ele entrega o produto por meio de motoboys e entregadores de pizza
- Quiosques: além de água-de-coco e refrigerantes, vendem entorpecentes e servem de ponto de contato entre os consumidores e os formiguinhas
- Fume-táxi: motoristas de táxi de fachada utilizam os carros para entregar drogas em pontos chiques da cidade.

Fonte: Anti - Drogas